Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Jovem Socialista - Órgão Oficial de Comunicação da Juventude Socialista

Jovem Socialista - Órgão Oficial de Comunicação da Juventude Socialista

28
Abr10

A Democracia Hoje

Inês Mendes

A propósito das comemorações do 25 de Abril, é de notar que este é dos feriados que o povo recebe com mais carinho e orgulho.

 

Com o fim da ditadura a população pode finalmente exprimir-se e democratizar o pais. 36 anos depois, podemos afirmar que vivemos em democracia e o Estado assegura os direitos mínimos aos cidadãos.

 

Mas ser cidadão não é só ter direitos e exigir medidas. É também cumprir obrigações como pagar os impostos, e viver de forma cívica, educando o próximo.

 

Comportamentos como os que se verificaram este fim de semana, em que se vandalizaram monumentos em praças tão carismáticas como a dos Restauradores e da Figueira, são inadmissíveis para um povo que se afirma cívico e culto. As pessoas têm de perceber que os maiores prejudicados são os cidadãos e que o poder político em nada é atingido com este tipo de vandalismo. O mesmo acontece com quem foge aos impostos ou não cumpre as suas obrigações, os prejudicados são os próprios, que no fim se deparam com a diminuição do poder de compra e com um Estado que não tem rendimentos para fazer face às despesas.

 

Tem de haver mais confiança na política e no Estado, mas para isso não se pode encarar os mesmos como adversários. O Estado serve a população e não o contrário. Por isso é tão importante o incentivo à participação política dos jovens, que devem ter desde logo formação escolar no modo de funcionamento das instituições.

 

O poder local deve tornar-se um meio de aproximação da população à política, porque a política e o Estado, mais do que compostos por partidos, são compostos por pessoas. A sociedade tem de se rever na política e assumir compromissos, cumprindo a sua parte, esperando que os outros cumpram a deles, não vale a pena esperar que o exemplo venha de cima, porque o exemplo nunca será perfeito e nunca todos irão concordar que aquele exemplo é o melhor.

 

Além da importância da política interna, é também essencial tomar posição relativamente à política internacional, que cada vez mais influencia e dirige a política interna.

 

A democracia deve então ser aproveitada para exigir mais e melhor dos governos e dos políticos. Para isso a população, hoje muito mais culta e instruída que outrora, deve participar activamente e educar os outros no sentido dessa participação.

 

Inês Mendes

26
Abr10

@ convidad@ da semana - Paulo Correia - O poder dos media

David Erlich

O Jovem Socialista conta com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, o convidado vem da sociedade civil, sendo independente, o que acentua a abertura deste espaço opinativo. É Paulo Correia, jovem jornalista de sucesso, tendo passado por diversas publicações, sendo agora editor da revista Playboy em Portugal. 

 

O poder dos media

 

Malcolm X, conhecido activista americano que lutou contra o racismo, disse uma vez que os "media são a entidade mais poderosa do planeta. Têm o poder para tornar os inocentes culpados e os culpados inocentes, e isso é poder. Porque eles controlam a mente das massas". Não podia estar mais correcto. Os media sempre foram rodeados de enorme poder e, usados de uma forma errónea e descuidada, podem conduzir a população a tomar decisões condizentes com uma realidade que não é verdadeira, pois a sua função é entreter e informar a população através de conteúdos seleccionados pelos próprios responsáveis editoriais. O perigo nasce com a forma de difundir esses mesmos conteúdos/informação e a tipologia com que isso é feito, pois a informação fornecida tanto pode ser útil e suscitar o debate e discussão em torno de um tema, como pode apenas alienar a população, determinando um modo de pensar em vez de originar um debate - isso observa-se muito no mundo da publicidade onde nos é dito que produtos devemos comprar.

 

Mas o que se vê em grande parte das televisões mundiais, e nas portuguesas em particular, é a tentativa de "venda" de um pensamento que perpetua o já de si natural descontentamento da população portuguesa. Existem meios de comunicação no nosso país que tentam aproveitar-se desse mal-estar para dar aos seus telespectadores, não aquilo que precisam, mas algo que perpetue o seu pensamento, quer este esteja certo ou errado. Podemos observar isso através dos diversos telejornais da nossa televisão, a forma como são interpretadas as notícias, a entoação dada a umas e retirada de outras, tudo isso influencia a forma do telespectador experienciar aquilo que vê. Actualmente, ao ver os telejornais, os indivíduos estão muitas vezes insensíveis ao que se passa, abdicam da sua liberdade e deixam-se ser controlados. Desde que existem os meios de comunicação tais como os conhecemos, os governos e as classes sociais mais poderosas sempre foram apontados como sendo os responsáveis pela manipulação dos mesmos, para levar o povo a fazer o que desejam que faça e manter a população na ordem. Claro que nem sempre é isso que acontece.

 

Temos vindo a observar, com o desenvolvimento desenfreado da internet e o "boom" dos meios de comunicação privados, controlados por grupos económicos poderosos com a sua própria agenda política, que os governos e demais entidades políticas deixaram de ser considerados como os principais actores por trás da agenda mediática imposta. Aliás, tem-se verificado o exacto oposto: nas últimas duas décadas tem-se assistido a uma cada vez maior interferência dos media em questões do foro económico e político - como podemos observar com a recente polémica entre José Sócrates e a TVI. Não quero com isto dizer que esta mudança é má, acaba por ser uma forma de produzir informação similar à que já existia, mas na qual o detentor do "poder" deixou de ser o estado e passaram a ser os grandes grupos económicos. Definir qual o melhor dos dois parece-me um exercício vão e que acabará por produzir sempre o mesmo resultado, que o melhor modelo para o povo ainda está para chegar.

 

O que se tem verificado, com o aparecimento de grandes conglomerados económicos, responsáveis também pelos media, é que a informação tende a ser definida pela audiência que irá gerar, pela garantia de lucro, o que provoca uma ruptura no papel que é atribuído aos media, de quarto poder, regulador de todos os outros poderes, e de garantia da democracia. Quando o objectivo máximo é a garantia de lucro, as funções sociais dos meios de comunicação social (funções educativas, culturais, informativas, etc...) são esquecidas e a diversidade de informação e a própria discussão necessária para um avanço social dos cidadãos é posto em causa.

 

O mesmo tem vindo a acontecer nos diversos meios de comunicação portugueses, de uma forma menos acentuada do que noutros países, mas acontece. Conglomerados financeiros, alguns que nem são portugueses, têm vindo a delinear a forma de pensar da nossa sociedade, "mostrando-nos" o que está bem, o que está mal, o que devemos comprar e usar. Medidas terão que ser tomadas de forma a garantir que os media voltarão a ocupar o lugar que sempre lhes foi destinado, um local de debate e de ajuda para o despertar de consciência social.

 

Paulo Correia

22
Abr10

Quid iuris?

Luís Pereira

 

Começo este post por um apontamento negativo: Manuela Ferreira Leite saiu, mas ninguém vai esquecer muitas das suas declarações irresponsáveis. Acho uma certa piada aos seus apoiantes, que dizem que "mulher séria, competente, certa para liderar o país". Ferreira Leite não foi só má ministra. Foi má líder do PSD. Não disse apenas que gostaria de "suspender a democracia 6 meses", disse também de forma muito grave há bem pouco tempo que a situação económica Portuguesa era semelhante à Grega. Se a primeira afirmação é grave, mas poucas consequências poderia trazer à equação nacional, a segunda é gravíssima pois tem consequências imediatas a líder do maior partido da oposição fazer uma declaração deste tipo, quando os mercados estão instáveis e tão atentos a tudo o que se diz, sendo naturalmente prejudicial para o país e para a sua recuperação económica.

 

Ferreira Leite já saiu. Não deixou no entanto de manchar mais uma vez a pintura. Felizmente Pedro Passos Coelho, apesar de discordar completamente do modelo por ele sugerido, mostrou-se mais comedido e disse que à semelhança de Cavaco Silva não considera que Portugal caminhe para a bancarrota ou esteja numa situação igual à da Grécia. Está certo, mas para além disso manteve uma boa postura de Estado, coisa que, por exemplo, não teve o presidente da República Checa que teve mais uma declaração escandalosa e demonstrativa que à União Europeia às vezes falta um pouco mais de união e...solidariedade. Não podemos arrancar com o motor europeu se continuarmos a ter chefes de estado que se dão ao luxo de lançar dúvidas e o pânico nos mercados de outros países.

 

Vamos então desmontar esta história: Será Portugal igual à Grécia?

 

Comecemos pelo risco na zona euro na sustentabilidade das finanças públicas. O Wall Street Journal, com base em dados da Comissão Europeia, atribui a Portugal um “risco médio”. O nosso país aparece de mãos dadas com países como a Alemanha, a França, a Itália...colocados no grupo de países de “risco elevado” aparece curiosamente, ou talvez não, a Grécia.

 

Mesmo assim, uma agência de rating bastante reconhecida, a Moody's promoveu a ideia: os portugueses afinal eram gregos. No dia a seguir a notícia nos media era: “Os mercados apostam no incumprimento grego". As consequências não foram assim tão gravosas como se poderia temer.

 

Em Portugal, começam os media a acordar para o assunto:

 

 

Manuela Ferreira Leite entrava em jogo. Manuela Ferreira Leite: “Estamos rigorosamente no mesmo caminho [da Grécia]”. Cavaco Silva:“Portugal y España no son Grecia; ha habido error y mala fe en algunas tribunas”. A resposta era a esperada do Presidente da República.

 

Mais notícias vinham a público sobre a situação Grega: sabia-se agora que a Grécia brincava e falseava os números das contas públicas. Situação semelhante em Portugal, talvez só com Manuela Ferreira Leite, que apesar de não ter bem falseado, andou a brincar com o défice público apresentando um resultado desastroso. Seriam memórias antigas, perguntavam-se alguns. Outras diferenças entre as duas situações:  A Grécia não fez as necessárias reformas da administração pública e da segurança social. Uma despesa pública fora de controlo, uma vez que, nos últimos 6 anos a despesa da administração central crescera 87 por cento, enquanto a receita fiscal apenas cresceu 31 por cento; Pouco fez para melhorar a eficácia fiscal e combater a fraude e a fuga aos impostos, estratégia agora tida como muito importante no PEC grego para aumentar as receitas.

 

Os dias iam passando e os mercados insistiam em desmentir estes arautos da desgraça: Grécia paga mais 60% que Portugal para vender dívida. Outros países davam sinais semelhantes: Portugal é injustamente inscrito na lista injuriosa dos PIGS (porcos) (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) pelos operadores do mercado. Philippe Marini, relator-geral da Comissão de Finanças do Senado francês.

 

Em Portugal, tal como na Grécia, criava-se o PEC, Plano de Estabilidade e Crescimento. A notícia era: PEC: OCDE diz que Portugal está na «direcção certa». A OCDE felicitava a estratégia de consolidação orçamental de Portugal, que considera estar na direcção para assegurar a confiança dos mercados e suportar o crescimento da economia.

 

As notícias não paravam de chegar para desespero da linha política do PSD:  As exportações aumentaram 7,6 por cento entre Dezembro de 2009 e Fevereiro de 2010 face ao trimestre homólogo.

 

As notícias eram como se pode ver mais uma vez animadoras: A produção industrial na Zona Euro registou um incremento de 0,9%, em Fevereiro, com Portugal a inverter o recuo de Janeiro para crescer 1,6% no mês analisado, indicam estimativas do Eurostat divulgadas esta quarta-feira.

 

Apesar de tudo isto continuavam os arautos da desgraça: a compararem o défice dos dois países. A dizerem que o FMI estava a apertar Portugal. A Alemanha estava farta de pagar e não ia tolerar muito mais.

 

Comecemos pelo défice.

 

 

 

Curioso. Portugal aparecia à frente com um défice bem menor que países como Japão, França, Espanha, EUA, Irlanda e imaginem só...Grécia.

 

Passemos então ao FMI. O Fundo Monetário Internacional (FMI) desvalorizou hoje as preocupações dos economistas internacionais de que os problemas da Grécia possam replicar-se em outros países da zona euro, como Portugal e Espanha:

"Estes países [Portugal e Espanha] têm instituições orçamentais sólidas e não têm as incertezas que a Grécia tem."


O argumentário continuava a complicar-se. Até que o Ministro das Finanças Alemão dá o seu contributo: "A situação da Grécia não pode ser comparada de todo com nenhum outro país". Segundo o Ministro, ao compararem a Grécia a outros países europeus, o que “esses economistas ainda não perceberam [é] que estão a alimentar os negócios de especuladores com intenções duvidosas”.

 

A opinião parece geral.

 

    “[Vive-se] uma batalha pela sobrevivência da união monetária europeia (...). Há interesses e forças, quer especulativas, quer políticas, e grupos de interesse do mundo anglo-saxónico interessados em testar até ao limite a resistência do euro (...). É certo que algumas economias mais periféricas, como a portuguesa, têm debilidades, mas isto é um ataque ao euro através da concentração nos elos mais fracos da cadeia”.

João Costa Pinto, presidente da Caixa de Crédito Agrícola e ex-vice-governador do Banco de Portugal, "Jornal de Negócios".

 

Voltamos ao inicio. Agências de rating. Especulação. Subprime. Inicio da crise. E curiosamente voltamos também à incoerência do PSD: O subprime é “uma das melhores inovações dos últimos anos”. António Borges, ex-vice-presidente da Goldman Sachs e ex-vice-presidente da Dr.ª Manuela

 

Goldman Sachs processado por fraude no subprime.

 

Felizmente para uns, infelizmente ao que parece para outros, as notícias parecem ser de esperança. E os leitores, continuam a achar que a situação de Portugal é igual à da Grécia? E o PSD, será uma oposição séria?

 

Por fim, continuam a achar Manuela Ferreira Leite uma senhora séria? Acredito. Para os outros que têm dúvidas não se esqueçam que a culpa não morrer solteira e há outros senhores que partilham a irresponsabilidade da senhora. Como, por exemplo, Paulo Rangel, fazendo campanha contra o país: a situação de Portugal é agora «semelhante à da Grécia» disse o "nunca abandonarei o parlamento europeu", eurodeputado e derrotado nas eleições internas do PSD. Com Manuela Ferreira Leite já pouco ou nada nos temos que preocupar. Com Paulo Rangel e toda uma linhagem política, a história já é diferente.

18
Abr10

@ convidad@ da semana - Pedro Ruas - Os perigos da urbanização do mundo

David Erlich

O Jovem Socialista conta com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, o convidado é Pedro Ruas, Presidente da Federação de Setúbal da Juventude Socialista.

 

Os perigos da urbanização do mundo e esvaziamento do espaço rural 

 

As primeiras cidades, surgidas na antiga Mesopotâmia há apenas cerca de 5 a 7 mil anos, introduziram uma nova ordem espacial para a humanidade, mas durante séculos continuaram em pouco número em todo o mundo e durante séculos foi à ruralidade que coube a liderança populacional.

 

Mas recuemos até ao aparecimento da agricultura, uma das genialidades da raça sapiens sapiens, que terá permitido fixar as primeiras aldeias e assim transformar em sedentária a humanidade, criando comunidades de vizinhos. O desenvolvimento da agricultura permitiu também um crescimento considerável na população, criou a segurança grupal em abrigos e permitiu libertar a energia que despendiam em longas caminhadas para o investimento na tecnologia, consolidando as aldeias. Progressivamente as aldeias foram crescendo, e com o desenvolvimento da tecnologia, foram surgindo as primeiras profissões especializadas, os primeiros serviços comunitários, as primeiras organizações de pessoas e as lideranças religiosas, políticas, culturais, sociais e económicas.

 

Na Idade Média, a vivência nas cidades era símbolo de liberdade, em contraposição aos que viviam nos campos e dependiam dos senhores feudais. E por esta altura, algumas aldeias crescem e absorvem as populações rurais vizinhas, embora a grande maioria continuasse a viver nos campos. 

 

Foi só mais tarde, com o advento da Revolução Industrial, que as cidades conheceram um novo capítulo na sua história. Estimulada pelas inovações tecnológicas, pelas descobertas na saúde, e pelo aumento da riqueza, a urbanização começou na Europa e universalizou-se com a chegada das fábricas a todo o planeta. A população urbana não parou de crescer desde então e a concentração nas cidades foi aumentando de acordo com as crises económicas e com o crescimento populacional.

 

Nos dias de hoje assistimos a uma mudança clara no paradigma da ocupação e antropologia humana do espaço: pela primeira vez, em 2008, a população urbana ultrapassa a população rural e a concentração nas cidades cria uma nova forma de estar e olhar o mundo, penalizando a agricultura e produção de bens alimentares.

   

De acordo com a ONU, em 2008 cerca de 3,3 mil milhões de pessoas residiam em cidades, das quais um sexto em bairros de lata e a maioria em cidades costeiras, ameaçadas pelo aquecimento global.

   

Aquilo que acontece hoje no interior de Portugal, acontece em paralelo um pouco por todo o mundo rural do Ocidente, mas acontece também em países cujos índices de desenvolvimento nos indicariam que não. Quase todos os países africanos e asiáticos já apontam uma população urbana de monta considerável. As latitudes apresentarão diferentes contornos nas razões, mas a verdade é que é um facto da ocupação humana e a tendência será o agudizar desse diferencial, agora já não pelo êxodo rural, mas sim pelo crescimento natural das cidades.

   

O que assistimos no interior do país é justamente o que se assiste em todo o mundo: o esvaziamento dos campos, das aldeias e vilas e a concentração populacional nas cidades.

 

Contudo, a urbanidade nos dias de hoje não deixa de privilegiar a vivência e a qualidade de vida oferecida pelos campos e só pode sobreviver porquanto for existindo a possibilidade de usufruir dessa qualidade de vida e do que a ruralidade pode continuar a oferecer.

   

Para os que acreditam e defendem o esvaziamento do interior, usam como argumento que a concentração populacional nas urbes levará a uma redução substancial na rede de serviços públicos e a uma consequente qualificação, uma vez que a população está concentrada, levará também a um aumento no tipo de serviços ao dispor em cada núcleo urbano, uma vez que mais pessoas significarão mais e melhores respostas, libertando os campos para a preservação ambiental, tão cara aos citadinos. O que se esquecem é que sem população rural, não há agricultura, não há produção agrícola, não há ocupação e tratamento do solo e há o agravamento da crise económica, a perda de identidade do povo português e o crescimento desenfreado de selvas de pedra, que mais não passam de aglomerados de betão. Em Portugal, 178 municípios, situam-se no interior, o que significaria que uma parte significativa do país ficará, a médio prazo, desprovida de qualquer cuidado.

 

E é por isso que importa travar este movimento de desertificação, é preciso parar de gerir o país só com números e estatísticas, é preciso repensar o modelo de desenvolvimento para o país, fundamentando a sua intervenção no equilíbrio e na coesão social e territorial.

 

Os dirigentes e líderes políticos devem ter a capacidade e o discernimento para separar o que é verdadeiramente essencial do que é acessório, concentrando esforços no que é estruturante para as comunidades rurais. Ora bem, terá sido justamente aí que a ruralidade falhou, porque não teve a coerência para definir, planear e estruturar a longo prazo, auto-castrando qualquer hipótese de sobrevivência. As poucas aldeias que foram resistindo apresentam-se hoje envelhecidas, sem projectos de futuro, e sem qualquer visão de progresso. As nossas aldeias, particularmente as do Alentejo, não se modernizaram, como as da Alemanha ou da Holanda, não criaram emprego, mas ainda mais penalizador: não definiram um caminho de futuro, procuraram apenas sobreviver.

 

Defendo e acredito que só com políticas de médio e longo prazo será possível ao interior recuperar o seu ritmo de progresso, que só com intervenções cirúrgicas poderá ser possível recuperar a robustez da ruralidade, tão importante ao país.

 

E a inflexão desta tendência só é possível se o interior for tomado em conta na decisão política, se os líderes políticos tiverem a consciência de que existe um espaço rural no país, para além das cidades e do litoral, de que existe, e deve existir, uma ruralidade que preserve os campos e garanta a produção de alimentos.

 

O investimento nas acessibilidades, que aliás tem sido feito ao longo dos últimos anos pelo Governo do PS, é um sinal claro da preocupação com o interior, os benefícios fiscais já concedidos às empresas que se fixam no interior também é um sinal claro da vontade política em interromper este ciclo de concentração urbana, mas é preciso mais para equilibrar os ritmos de desenvolvimento. A decisão deve ser mais corajosa que o peso da demografia, deve ser consistente com o princípio de que devemos ter um país coeso, com equilíbrio territorial, e que garanta aos seus cidadãos os mesmos níveis na qualidade de vida e a liberdade de poder escolher entre viver nos campos ou viver nas cidades.

 

Pedro Ruas

 

13
Abr10

Repugnante

David Erlich

É legítimo a Igreja Católica afirmar que não é o celibato que causa a pedofilia no seu seio, e é legítimo haver quem ache o contrário.

 

Se esta especialista separa o celibato da pedofilia, já este afirma que as pessoas com tendências pedófilas tendem a procurar actividades em que há proximidade segura e livre, no que à vigilância de outros diz respeito, a crianças, sendo o sacerdócio uma dessas actividades.

 

O que me parece absolutamente repugnante é, contra a opinião de toda a comunidade científica e referindo-se à alegadas opiniões de especialistas não especificados, a Igreja Católica ligar, como fez através deste responsável de topo, a pedofilia à homossexualidade. É um incitamento à homofobia violenta. É vergonhoso.

 

É repugnante.

 

 

Pág. 1/2

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2009
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D