Quarta-feira, 10.06.09

 

Não sou especialista em economia, longe disso. Talvez por isso mesmo, não me acho mais inteligente que alguns prémios Nobel de Economia. Ísto porque?

 

Há por aí um nobel de economia que diz que a crise mundial provou que o pensamento da direita sobre a economia de mercado está errado. Diz o pobre senhor, certamente errado, que a direita dizia que os mercados se regulariam por si, se ajustariam por si, que se houvesse algum problema os mercados arranjar-se-iam por si e muito rapidamente. Para este senhor, esta é uma ideia errada até porque os mercados são em geral ineficientes quando a informação é imperfeita, sendo que a informação é sempre imperfeita muito por culpa de uma "depravação moral" de algumas instituições financeiras para classificar o comportamento dos bancos que, na sua opinião, “roubaram os sonhos e o dinheiro de muitas pessoas". Explica o senhor que a culpa é dos senhores que desregulamentaram a economia.

 

Outra pessoa que deve saber mais do que eu, até por estar envolvido no meio e ser um professor de duas das Universidades mais conceituadas da América, Harvard e Princeton, também diz coisas interessantes:

 

"A desregulamentação que se fez nos últimos 15 anos, incluindo o governo de Clinton, do qual fui parte, criou uma atmosfera de casino na qual qualquer banco podia fazer dinheiro sem se importar com os seus níveis de endividamento e sem sequer saber que tipo de papéis comprava"

 

Há ainda um ministro da Economia de Itália que diz o seguinte:

 

"Não é um banco que fracassou, é um sistema inteiro. Devemos ter novos regulamentos e é opção dos governos fazê-los"

 

Diz-se que "o actual sistema financeiro iniciou o seu declínio com o surgimento da política neoliberal, que estabeleceu como principio fundamental a desregulamentação em todos os âmbitos e em especial no sector financeiro."

 

Posto isto,  serão jotices ou estupidez acreditar em Prémios Nobel, em Professores de Harvard ou Ministros de Economia? Se calhar o melhor é perguntar ao especialista Samuel.



Luís Pereira às 17:28 | link do post | comentar | ver comentários (8)

Segunda-feira, 04.05.09

Já todos deviam ter chegado à conclusão que os mercados não são perfeitos, bem pelo contrário. Não se auto-regulam, nem são compatíveis o capitalismo "laissez faire". O mecanismo dos preços não funciona e o capitalismo de casino não nos leva a lado nenhum. O que teria acontecido à CGD quando era intenção dos liberais, entre eles PSD, de privatizar, não seria propriamente benéfico, bem pelo contrário. Que, numa perspectiva conjectural, como a actual, é preciso um estado forte e com intervenção na economia, que permita através de injecção de capital no mercado tirar proveito de um efeito multiplicador que permita animar a economia. É através de investimento público que se fazem obras estruturais para Portugal que permitem olhar com maior confiança para os desafios que se advinham e criam condições para Portugal ser competitivo. É através de um estado social que podemos combater as desigualdades sociais de um capitalismo "louco". Mesmo que tudo isto se traduza em défice, afinal, como diria Keynes, é para isso mesmo que serve.

 

Sabendo isto, para que queremos liberalismo? 

 

Até porque no sector privado, de certeza que não existem grupos de interesse, como Madoff's ou BPN's. Não existe o aproveitamento excessivo de grupos de interesse de uma crise para maximizar, sem consciência dos prejuízos alheios, dos seus lucros. Não foi o capitalismo e o liberalismo que provocaram, com o seu subprime, ou o consumismo sem limite, esta crise.

 

No fim disto tudo, numa crise profunda, nem os capitalistas foram pedir ajuda aos socialistas para nacionalizar ou injectar dinheiro.

 

Não, isto é tudo uma ilusão!



Luís Pereira às 22:37 | link do post | comentar

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Inês Mendes, 12/07/2010
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