Sexta-feira, 12.06.09

Portugal vai finalmente entrar nos eixos. Acabaram-se as malfeitorias de Sócrates e iremos voltar a ter calma e tranquilidade. Para começar, em resultado das eleições e tal como exigiu Paulo Rangel, o Governo não deve fazer mais nada. Deve parar totalmente a sua actividade, pelo menos, até final do ano. Parece-me bem.

 

Pode ser que entretanto a crise passe e lá para o Natal os portugueses acordem cheios de prendas na respectiva árvore. Se não for assim, logo se verá.

Nessa lógica, e dado o notável crescimento do Bloco, fica também desde já proibido qualquer despedimento, sendo que a empresa que o faça será imediatamente encerrada pela polícia.

Na mesma linha doutrinária bloquista, os desempregados deverão ser admitidos, compulsivamente, pelas empresas com grandes lucros, mesmo que não tenham nada para fazer ou sem aptidões. Esta medida irá diminuir drasticamente a taxa de desemprego e salvar a segurança social. As empresas que se recusarem a fazê-lo serão igualmente encerradas.

As pequenas e médias empresas, principalmente as falidas e obsoletas, serão altamente financiadas pelo Estado. Pouco importando se o dinheiro vai para a modernização ou para comprar BMW's. Todos os economistas do PSD, PCP, Bloco e CDS garantem que é assim que se estimula a economia.

Serão distribuídos avultados subsídios aos pescadores, os quais poderão doravante pescar tudo o que quiserem sem qualquer restrição. Quando o peixe acabar logo se vê. A agricultura será também totalmente subsidiada protegendo-se assim os produtos nacionais, mesmo os de baixa qualidade ou sem consumidores. Esta medida será acompanhada da proibição da venda de produtos agrícolas e piscícolas oriundos de outros países.

Considerando também a expressiva votação nos partidos contra a Europa - Bloco, PCP e CDS -, e dada a pouca convicção do PSD actual sobre o assunto, deverá dar-se início às negociações para abandonarmos a Comunidade Europeia. Portugal ganhará deste modo a plena soberania, o que, entre tanta coisa extraordinária, dará toda a legitimidade para se reclamar o importante território de Olivença que nos foi vilmente roubado pelos espanhóis.

Todos os programas "na hora" e de desburocratização serão abandonados para se regressar às velhas e serenas rotinas. Pedir uma qualquer certidão terá forçosamente que demorar no mínimo três meses.

Os professores deixarão de ser avaliados. A progressão na carreira voltará a ser rigorosamente automática não distinguindo, sob nenhuma forma, a prestação individual que será sempre excelente. De forma a repor a autoridade dos docentes na sala de aula voltarão as reguadas.

Medida urgente será a apreensão de todos os computadores Magalhães e, em vez deles, distribuídos lápis e borrachas, o que muito estimulará estas importantes indústrias. A Internet será fortemente censurada e só poderá ser usada entre as 16 e as 18 horas aos sábados, sob estrito controlo parental, já que aos domingos as televisões passarão todo o dia futebol.

A ASAE será extinta.

Todos os projectos, como o TGV e o aeroporto, serão cancelados. Não será construído nem mais um centímetro de estradas. Isto trará de volta o famoso "orgulhosamente sós" de tão boa memória para muitos portugueses. As corridas com touros de morte serão legalizadas em todo o território nacional. Esta medida terá um enorme impacto no crescimento do turismo, atraindo bárbaros de todo o mundo para Portugal.

Os polícias terão ordem para disparar à vontade, bater nos presos e forjar provas, desde que garantam condenações. Será encomendado um estudo, ao grupo parlamentar do CDS, para reintrodução da pena de morte em Portugal.

Marinho Pinto será imediatamente destituído. Será também terminantemente proibida qualquer crítica às decisões de juízes e magistrados, considerando-se uma forma de pressão intolerável e fortemente punível, tudo o que não seja vénia e subserviência. Todos os estrangeiros serão expulsos do País, repondo-se deste modo a pureza da raça latina.

Só serão permitidos casais de um homem e uma mulher, os quais tendo em vista a doutrina desenvolvida por Manuela Ferreira Leite, terão obrigatoriamente que procriar. Também nesta linha de promoção da ordem na família os maridos poderão voltar a bater nas mulheres.

Por fim dada a consonância de posições entre os quatro partidos da actual oposição, PCP, Bloco, PSD e CDS irão juntos formar o próximo governo de Portugal. Assim temos futuro.
 

Leonel Moura


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Luís Pereira às 15:30 | link do post | comentar

Quarta-feira, 03.06.09

Miguel Portas continua a falar, mostrando-se contra a nacionalização do BPN.

 

A ver se a gente se entende. Desde a nacionalização do BPN, em Novembro de 2008, a Caixa Geral de Depósitos “meteu” lá qualquer coisa como 2,55 mil milhões de euros. É muito dinheiro. De uma maneira ou de outra, vai ser pago por todos nós, contribuintes. Vamos supor que, em vez de o ter nacionalizado, o governo tinha deixado cair o banco. O BPN tem uma rede de balcões vastíssima, muito apetecível para eventuais compradores. Tem 285 mil clientes (repito: 285 mil), o que representa um aumento de 21% relativamente à fase Oliveira Costa/Cadilhe. Verdade que, entretanto, alguns deles transferiram 1,6 mil milhões de euros para outras instituições, o que não teriam podido fazer se o governo tivesse deixado cair o BPN ou se, como acontece no BPP, os fundos estivessem congelados. Além disso, o BPN mantém compromissos internacionais: o BPN França e o BPN Brasil. Emprega mais de dois mil trabalhadores. É ainda (via SLN) responsável pela gestão do Hospital de Leiria e da Real Seguros. Portanto, não estamos a falar de um banco en petit comité como o BPP, onde a polícia de intervenção impediu hoje a entrada de clientes.

Já imaginaram o charivari dos media se, em vista do que se sabe da “roubalheira” — e só o sabemos porque a comissão parlamentar de inquérito ainda não parou de escarafunchar —, o governo deixasse o banco ruir? Cerca de trezentos mil depositantes a ver navios, dois mil e tal desempregados, activos perdidos, dívidas ao estrangeiro que teriam de ser pagas pelo Estado, ondas sistémicas, etc. O regime aguentava?

Para já, interessa saber o resultado dos doze processos disciplinares instaurados, pela actual administração (da CGD), a responsáveis de topo pelas anteriores gestões. Bem como o destino dos dez milhões de euros pagos a Cadilhe. Como disse Oliveira Costa (e bem), Cadilhe ganhou mais em 6 meses que ele em 10 anos.

 



Luís Pereira às 21:29 | link do post | comentar

Desde logo, parece-me algo curioso um candidato ao Parlamento Europeu, assumidamente federalista, seja absolutamente contra um imposto federal. Não se trata de um aumento da carga fiscal, trata-se de dar à Europa os meio de que necessita para ajudar os Estados-Membros. Senão, de que forma poderia ser verdadeira a afirmação: Combater a crise com fundos europeus? Até aqui Rangel se contradiz. Pior do que isso, é ainda vir o PSD dizer que é impossível haver impostos europeus, quando o próprio PSD aprovou essa possibilidade no Parlamento Europeu.

 

Pronto. Aceitemos esta posição de Rangel sobre o imposto europeu. O que não pode acontecer é depois dar um entrevista, ao Jornal de Negócios, que o imposto não é necessariamente negativo e que até não estaria "fechado" a um. Depois do sim (parece que antes ainda houve um entrevista ao jornal Sol em que defendeu um imposto europeu, posição esquecida depois de tornada a posição de Vital Moreira), do não, do sim, com reticências, volta agora o NÃO!

 

Ao invés dos sound bytes, convinha que o sr. Dr. Paulo Rangel se preocupasse em ter um rumo, um projecto, uma ideia para a Europa. É inaceitável que se ande nesta confusão programática e populista. Faz-me lembrar a sua ideia para o sector da Saúde, à falta de uma orientação, o senhor defende...o modelo misto! É o nim, nem sim, nem não.

 

Mas nem só à direita as posições são curiosas...

 

Surpreende muito que a esquerda mais à esquerda venha agora aparentar espanto por se lançar esta discussão. Vejamos o que propõem os programas eleitorais apresentados em 2005:

    Bloco de Esquerda: “Controlo dos movimentos de capitais, obrigando a registo das operações transfronteiriças, e aplicando um imposto sobre as operações cambiais (Taxa Tobin)”.

    PCP: “penalização, por via fiscal ou outra, dos movimentos especulativos de capitais” e “o combate eficaz aos movimentos de capitais especulativos, nomeadamente pela sua tributação”.

Compare-se agora com o que o BE e o PCP disseram a propósito das declarações de Vital Moreira.

 

Perante isto, como se espera um debate sério de ideias? Paulo Rangel continua mais interessado em combater o Governo, em criticar os ministros. Ainda há bem pouco tempo li uma opinião curiosa: Rangel conseguiu cometer a proeza de num comício referir-se a todas as áreas de governação e nem uma palavra teve para as eleições Europeias. O CDS/PP, como se pode comprovar pelo seu site, nem programa ou manifesto para a Europa tem. À esquerda pouco há a dizer, na mesma medida do que o que têm a propor!



Luís Pereira às 19:23 | link do post | comentar

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Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
que não deixa de ter em conta a
produtividade e crescimento do país,
gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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