Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

 

Começo este post por um apontamento negativo: Manuela Ferreira Leite saiu, mas ninguém vai esquecer muitas das suas declarações irresponsáveis. Acho uma certa piada aos seus apoiantes, que dizem que "mulher séria, competente, certa para liderar o país". Ferreira Leite não foi só má ministra. Foi má líder do PSD. Não disse apenas que gostaria de "suspender a democracia 6 meses", disse também de forma muito grave há bem pouco tempo que a situação económica Portuguesa era semelhante à Grega. Se a primeira afirmação é grave, mas poucas consequências poderia trazer à equação nacional, a segunda é gravíssima pois tem consequências imediatas a líder do maior partido da oposição fazer uma declaração deste tipo, quando os mercados estão instáveis e tão atentos a tudo o que se diz, sendo naturalmente prejudicial para o país e para a sua recuperação económica.

 

Ferreira Leite já saiu. Não deixou no entanto de manchar mais uma vez a pintura. Felizmente Pedro Passos Coelho, apesar de discordar completamente do modelo por ele sugerido, mostrou-se mais comedido e disse que à semelhança de Cavaco Silva não considera que Portugal caminhe para a bancarrota ou esteja numa situação igual à da Grécia. Está certo, mas para além disso manteve uma boa postura de Estado, coisa que, por exemplo, não teve o presidente da República Checa que teve mais uma declaração escandalosa e demonstrativa que à União Europeia às vezes falta um pouco mais de união e...solidariedade. Não podemos arrancar com o motor europeu se continuarmos a ter chefes de estado que se dão ao luxo de lançar dúvidas e o pânico nos mercados de outros países.

 

Vamos então desmontar esta história: Será Portugal igual à Grécia?

 

Comecemos pelo risco na zona euro na sustentabilidade das finanças públicas. O Wall Street Journal, com base em dados da Comissão Europeia, atribui a Portugal um “risco médio”. O nosso país aparece de mãos dadas com países como a Alemanha, a França, a Itália...colocados no grupo de países de “risco elevado” aparece curiosamente, ou talvez não, a Grécia.

 

Mesmo assim, uma agência de rating bastante reconhecida, a Moody's promoveu a ideia: os portugueses afinal eram gregos. No dia a seguir a notícia nos media era: “Os mercados apostam no incumprimento grego". As consequências não foram assim tão gravosas como se poderia temer.

 

Em Portugal, começam os media a acordar para o assunto:

 

 

Manuela Ferreira Leite entrava em jogo. Manuela Ferreira Leite: “Estamos rigorosamente no mesmo caminho [da Grécia]”. Cavaco Silva:“Portugal y España no son Grecia; ha habido error y mala fe en algunas tribunas”. A resposta era a esperada do Presidente da República.

 

Mais notícias vinham a público sobre a situação Grega: sabia-se agora que a Grécia brincava e falseava os números das contas públicas. Situação semelhante em Portugal, talvez só com Manuela Ferreira Leite, que apesar de não ter bem falseado, andou a brincar com o défice público apresentando um resultado desastroso. Seriam memórias antigas, perguntavam-se alguns. Outras diferenças entre as duas situações:  A Grécia não fez as necessárias reformas da administração pública e da segurança social. Uma despesa pública fora de controlo, uma vez que, nos últimos 6 anos a despesa da administração central crescera 87 por cento, enquanto a receita fiscal apenas cresceu 31 por cento; Pouco fez para melhorar a eficácia fiscal e combater a fraude e a fuga aos impostos, estratégia agora tida como muito importante no PEC grego para aumentar as receitas.

 

Os dias iam passando e os mercados insistiam em desmentir estes arautos da desgraça: Grécia paga mais 60% que Portugal para vender dívida. Outros países davam sinais semelhantes: Portugal é injustamente inscrito na lista injuriosa dos PIGS (porcos) (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) pelos operadores do mercado. Philippe Marini, relator-geral da Comissão de Finanças do Senado francês.

 

Em Portugal, tal como na Grécia, criava-se o PEC, Plano de Estabilidade e Crescimento. A notícia era: PEC: OCDE diz que Portugal está na «direcção certa». A OCDE felicitava a estratégia de consolidação orçamental de Portugal, que considera estar na direcção para assegurar a confiança dos mercados e suportar o crescimento da economia.

 

As notícias não paravam de chegar para desespero da linha política do PSD:  As exportações aumentaram 7,6 por cento entre Dezembro de 2009 e Fevereiro de 2010 face ao trimestre homólogo.

 

As notícias eram como se pode ver mais uma vez animadoras: A produção industrial na Zona Euro registou um incremento de 0,9%, em Fevereiro, com Portugal a inverter o recuo de Janeiro para crescer 1,6% no mês analisado, indicam estimativas do Eurostat divulgadas esta quarta-feira.

 

Apesar de tudo isto continuavam os arautos da desgraça: a compararem o défice dos dois países. A dizerem que o FMI estava a apertar Portugal. A Alemanha estava farta de pagar e não ia tolerar muito mais.

 

Comecemos pelo défice.

 

 

 

Curioso. Portugal aparecia à frente com um défice bem menor que países como Japão, França, Espanha, EUA, Irlanda e imaginem só...Grécia.

 

Passemos então ao FMI. O Fundo Monetário Internacional (FMI) desvalorizou hoje as preocupações dos economistas internacionais de que os problemas da Grécia possam replicar-se em outros países da zona euro, como Portugal e Espanha:

"Estes países [Portugal e Espanha] têm instituições orçamentais sólidas e não têm as incertezas que a Grécia tem."


O argumentário continuava a complicar-se. Até que o Ministro das Finanças Alemão dá o seu contributo: "A situação da Grécia não pode ser comparada de todo com nenhum outro país". Segundo o Ministro, ao compararem a Grécia a outros países europeus, o que “esses economistas ainda não perceberam [é] que estão a alimentar os negócios de especuladores com intenções duvidosas”.

 

A opinião parece geral.

 

    “[Vive-se] uma batalha pela sobrevivência da união monetária europeia (...). Há interesses e forças, quer especulativas, quer políticas, e grupos de interesse do mundo anglo-saxónico interessados em testar até ao limite a resistência do euro (...). É certo que algumas economias mais periféricas, como a portuguesa, têm debilidades, mas isto é um ataque ao euro através da concentração nos elos mais fracos da cadeia”.

João Costa Pinto, presidente da Caixa de Crédito Agrícola e ex-vice-governador do Banco de Portugal, "Jornal de Negócios".

 

Voltamos ao inicio. Agências de rating. Especulação. Subprime. Inicio da crise. E curiosamente voltamos também à incoerência do PSD: O subprime é “uma das melhores inovações dos últimos anos”. António Borges, ex-vice-presidente da Goldman Sachs e ex-vice-presidente da Dr.ª Manuela

 

Goldman Sachs processado por fraude no subprime.

 

Felizmente para uns, infelizmente ao que parece para outros, as notícias parecem ser de esperança. E os leitores, continuam a achar que a situação de Portugal é igual à da Grécia? E o PSD, será uma oposição séria?

 

Por fim, continuam a achar Manuela Ferreira Leite uma senhora séria? Acredito. Para os outros que têm dúvidas não se esqueçam que a culpa não morrer solteira e há outros senhores que partilham a irresponsabilidade da senhora. Como, por exemplo, Paulo Rangel, fazendo campanha contra o país: a situação de Portugal é agora «semelhante à da Grécia» disse o "nunca abandonarei o parlamento europeu", eurodeputado e derrotado nas eleições internas do PSD. Com Manuela Ferreira Leite já pouco ou nada nos temos que preocupar. Com Paulo Rangel e toda uma linhagem política, a história já é diferente.



Luís Pereira às 02:40 | link do post | comentar

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Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
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O Governo assinou em Janeiro
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É uma aposta no ensino superior
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Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
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A bancada com mais faltas é
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de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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