Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

A propósito do "caso Mário Crespo", Margarida Balseiro Lopes, no blogue onde também escrevo, www.blogicadabatata.blogs.sapo.pt (este post vai em conjunto para esse blogue e para o do JovemSocialista.org), disse que Sócrates "ostraciza e envergonha os valores de Abril" e que, consequentemente, os militantes do Partido Socialista deviam, nos dias de hoje, ter vergonha de o ser.

 

Podemos legitimamente discutir o estilo de Sócrates, em que por vezes a determinação, uma das suas grandes qualidades, roça a crispação e a arrogância, nomeadamente na relação com os media.

 

Afirmar, no entanto, que Sócrates insulta os valores de Abril, é exagerado e disparatado. Afinal, de que se trata o "caso Mário Crespo"? Sócrates e outros dois governantes, chegados a um restaurante, dirigem-se a uma mesa onde está Nuno Santos e dialogam, privadamente, sobre Mário Crespo. É algo inconveniente e inapropriado? Sim. É uma forma de atentado à liberdade de imprensa o primeiro-ministro, numa conversa privada, emitir uma opinião sobre o trabalho de um jornalista? Não. Mário Crespo, ao ouvir de amigos que ouviram a conversa aquilo que estes ouviram sobre a conversa, expôs a sua versão da mesma num jornal, cuja direcção, numa opção editorial, decide a não publicar. Tal foi uma decisão devida a pressões políticas? Não, foi apenas uma decisão editorial. Até o Jornal Público, que como sabemos não é muito amigo de Sócrates, tem, nos seus princípios editoriais, o seguinte: "não serão publicados artigos de opinião onde sejam detectados erros factuais de substância." Basta dizer que Nuno Santos, envolvido na conversa, desmentiu gentilmente a versão de Mário Crespo ("a conversa não se passou da forma como é descrita"), para podermos concluir que a possibilidade de erros factuais, na versão de Crespo, é bastante forte. A opção editorial do JN é discutível enquanto tal. É uma decisão que, certa ou errada, tem a ver com a interpretação de critérios jornalísticos, e não com supostas – e inexistentes – pressões. O facto de a crónica sair, depois, publicada num site do PSD e o facto de Mário Crespo ter falado do caso, depois, como convidado do CDS-PP, também não abonam muito a favor daqueles que defendem a inocência objectiva e desinteressada de Crespo.

 

Aproveitar este caso para afirmar que os socialistas deviam ter vergonha de o ser é fazer algo que eu nunca fiz, nem farei, relativamente ao PSD, mesmo em casos bem mais graves. Julgar o PS à imagem deste caso é como julgar o PSD à imagem do "caso Marcelo Rebelo de Sousa", à imagem do "caso Fernando Lima" (para não dizer "caso Cavaco Silva") ou à imagem dos inúmeros "casos Alberto João Jardim", como aquele em que, com o dinheiro dos contribuintes, o líder madeirense financia, ilegalmente, o jornal que depende unicamente desse financiamento e no qual ele escreve rotineiramente.

 

Sim, tenho orgulho em pertencer a um Partido que procura uma sociedade com mais liberdades individuais, mais solidariedade e mais progresso. Nenhum Partido se mede pelo tamanho mediático dos escândalos que vão e vêm. Os Partidos medem-se pelos valores em que acreditam, pela ajuda que deram e dão ao Portugal de ontem e de hoje. E, nisso, reafirmo o meu orgulho em ter um cartão de militante do PS.

 

Margarida, por nos conhecermos e simpatizar bastante contigo, fica o convite: no dia 25 de Abril, junta-te à marcha da Avenida da Liberdade, já que te preocupas tanto com os valores de Abril. Com pena minha, pois devia ser uma festa de todos, virás concerteza a título individual, pois sei que tanto o PSD como a JSD não se fazem representar oficialmente.



David Erlich às 02:46 | link do post

Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

pesquisar...
 
Artigos recentes

Progressividade fiscal e ...

Cidadania europeia: o nov...

O progresso...

@ convidad@ da semana - J...

O Homem a fazer de Deus

O gineceu político do PSD

@ convidad@ da semana - C...

Os tiros nos pés do PS

A Democracia Hoje

NotíciasJS - 1.º Noticiár...

Jovem Socialista - Jornal...

Assim vai Cuba...

@ convidad@ da semana - P...

Jovem Socialista Poadcast...

JS em Entrevista - Progra...

Quid iuris?

@ convidad@ da semana - P...

Repugnante

Curtas

@ Convidad@ da Semana - J...

EUA: fez-se história

@ convidad@ da semana - M...

PSD... ou PCP ? ou o desn...

Democracia ao estilo do P...

A pérola II

A pérola

A Europa continua a ser v...

Futurália

"Virou-se o feitiço contr...

Lendo as notícias de hoje...

Frase do dia

MMG

Edições impressas do Jove...

Acompanhe todas as notíci...

Princípios da Administraç...

Da série "aos 10 anos já ...

Da série "aos 10 anos já ...

Da série "aos 10 anos já ...

Neda,

Mutilação Genital Feminin...

Orgulho em ser socialista

Dos EUA...

Por uma política com "P" ...

É da vida...

Notícias que interessam: ...

aCima & aBaixo

Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
que não deixa de ter em conta a
produtividade e crescimento do país,
gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
links
Sotão

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

tags

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds