Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Depois de algum tempo sem escrever neste espaço privilegiado de comunicação dos jovens socialistas, de que quem me conhece bem, como o Tiago Gonçalves e o Luís Pereira, sabe que sempre fui apologista, regresso com um tema que exactamente por ser (demasiadamente) pouco abordado pelas juventudes partidárias me interessa aflorar.

 

Esse tema é a pobreza mundial. Com cerca de 6 biliões de habitantes, o planeta tem 1 bilião de pessoas consideradas como “extremamente pobres”, o nível máximo de privação de condições básicas de subsistência e dignidade humana. Ainda que estejam em causa números tão expressivos, o tema parece passar ao lado da maior parte das juventudes partidárias portuguesas. Já não refiro os partidos políticos, assentes no seu próprio comodismo, mas a juventude, essa juventude sonhadora e construtora de um futuro melhor que gostamos de acreditar que somos e muitas vezes nos recusamos a ser, parece alheada de um dos maiores desafios da nossa geração: encontrar um modelo de desenvolvimento justo, equilibrado e ambicioso ao ponto de não excluir ninguém.

 

Relatórios internacionais, como o do PNUD “Desenvolvimento Humano” ou o do Banco Mundial “Combate à Pobreza”, têm apontado alguns caminhos: aposta na educação, saúde, infra-estruturas básicas, desenvolvimento industrial e agrícola, defesa dos direitos humanos, desenvolvimento sustentado. O segundo visava mesmo chegar à redução de metade dos pobres em 2015, meta já completamente fora dos horizontes possíveis.

 

Mas este diagnóstico, sendo importante, não chega para resolver os problemas sem auxílio internacional. É importante que as pessoas (e principalmente os dirigentes das principais potências) percebam que as dificuldades estruturais dos países com elevados índices de pobreza extrema não são resolúveis apenas com força de vontade. A espiral de pobreza crónica implica a necessidade de um “empurrão” rumo aos primeiros passos do desenvolvimento económico. Neste momento muitos destes países estão naquilo que é designado como a “armadilha da pobreza”, ou seja, sem possibilidade de recolha de impostos e de poupança não existe investimento público nem privado o que acumulado com o aumento demográfico e as catástrofes naturais faz com que geração após geração diminua o rendimento familiar, agravando a pobreza.

 

Muitos estudiosos qualificados, como o Prof. Jeffrey Sachs ou o Prof. Paul Collier, têm alertado para a necessidade de aumento das contribuições dos países ricos. Com efeito, bastaria 0,7% do PNB destes países para muitos países pobres conseguirem entrar no ciclo virtuoso do desenvolvimento. Não para ficarem ricos, mas para conseguirem as suas famílias armadilhadas pela pobreza poupar, investir, pagar impostos para investimentos públicos, aumentar o seu rendimento. Enfim, iniciarem o mecanismo de acumulação de capital que lhes permitirá escapar a uma vida de extrema pobreza.

 

 

É simples: ou somos partidários de que não existe responsabilidade social mundial, dando-nos aos luxos do costume, ou então decidimos ter uma voz activa na defesa de um mundo melhor.

 

Vale a pena pensar nisto…

 



Pedro Silveira às 17:56 | link do post | comentar

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Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
que não deixa de ter em conta a
produtividade e crescimento do país,
gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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