Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

 

 

Curioso povo este que faz mais “justiça” do que os próprios órgãos de soberania existentes para tal função.

Gostamos muito de expressões como: “inocente até prova em contrário” mas logo surgem frases como: “não há fumo sem fogo” ou no “melhor pano cai a nódoa”.

Vemos claramente neste momento, como em tantos outros, uma auto-exposição da privacidade fomentada por uns media em busca do maior escândalo possível.

É notório que isso externamente não nos favorece e era com espanto que o Times, a propósito de um caso muito mediático, afirmava que a investigação criminal em Portugal “ainda se baseava no princípio da auto-incriminação dos suspeitos: ou através de escutas ou através da confissão.” Pela atitude de “sem papas na língua” e de “detentores da verdade”, acabamos por confundir mediatização com fofoca, jornalismo com sensacionalismo e informação com opinião.

Dever-nos-íamos concentrar no essencial e deixar de lado o acessório, centrando-nos naquilo onde realmente podemos fazer a diferença para um Portugal mais competitivo, deixando aos competentes para tal função decidir sobre a justiça.

Mas não devemos confundir liberdade com inconsciência de expressão, pois podemos e devemos expressar a nossa opinião e reivindicar justiça sempre, só sugiro que aguardemos serenamente para poder comentar aquilo que é prova digna disso.

 



Marta Martins Pereira às 01:50 | link do post | comentar

6 comentários:
De Mariana D'Almada Burguette a 23 de Novembro de 2009 às 16:52
Parabéns Marta! O texto está muito interessante e as imagens são excelentes!
É este o tipo de texto que, na minha opinião, enriquece o blog!!
É um texto dinâmico, actual e muito bem escrito!


De osmeuslimites* a 23 de Novembro de 2009 às 17:13
Parabéns Marta!
É este o tipo de texto que, na minha opinião, enriquecem o blog!
Este é um texto interessante, actual e dinâmico!


De Aníbal Pinto de Faria a 23 de Novembro de 2009 às 17:26
..e a incapacidade de nos julgarmos a nós mesmos! Sem dúvida que nos precipitamos constantemente e não sabemos dar valor ao tempo; um pouco à imagem dos "bons" comentadores que tanto existem neste Portugal que "falam, falam, falam mas não fazem nada!". Talvez seja mais fácil ficar a ver, ficar à espera do erro..Parabéns Marta..mãos à obra


De Inês a 24 de Novembro de 2009 às 03:07
Já Romain Rolland dizia, “É belo ser-se justo. Mas a verdadeira justiça não permanece sentada diante da sua balança, a ver os pratos a oscilar. Ela julga e executa a sentença”. A verdade é que todos se acham os verdadeiros sabedores da moralidade, seja ela ditada por motivos religiosos, profissionais ou tradicionais. Cabe assim a esses peritos do certo e errado fazerem-se juízes!
Quando a palavra dita é mais forte do que as provas, quando o boato é motivo, quando a suspeita é verdade, quem devemos nos culpar? Esses grandes juízes? Decerto que não! O erro é do sistema! Não do homem! Esse é infalível! Ser superior, todos nós, que sabemos tudo.

Pior que achar que se sabe tudo, é saber-se pouco e não fazer nada por isso… É deixar tudo correr a nossa volta… Deixar que o que o outro diz seja a nossa verdade absoluta… É deixar mo nos ficar a olhar para a balança e não exercermos a justiça correcta e implacavelmente.


De mf a 25 de Novembro de 2009 às 00:42
Infelizmente este texto mostra de forma simples e directa a mentalidade portuguesa, o importante não é esclarecer, mas sim criar história, intriga e desconfiança E assim se faz a nossa justiça (ou injustiça) de provérbios e crenças n fundamentadas. Em que os culpados ficam impunes, e a justiça simplesmente não funciona, existe um espírito de imputabilidade no país, fundamentada nesta sabedoria popular, que não faz mais que deixar desculpabilizar quem não deve.
O texto está muito bom, e este tipo de pensar faz-me acreditar que Portugal não está perdido, que há uma geração jovem que se preocupa e que quer mudar! E esse é o primeiro passo para alcançar o objectivo de um país melhor e mais justo. Parabéns!


De André F. Abel a 29 de Novembro de 2009 às 19:03
De Juizes e Loucos todos temos um pouco! Aceito esta afirmação e sublinho duplamente, porém na minha opinião acho que também deveriamos ter um espirito muito mais auto-crítico e não sermos influenciados pelos Media, pois nem tudo que ouvimos deve ser julgado sem estarmos completamente dentro do assunto...

Relativamente ao trabalho da Marta Martins , acho que está excelente, as fotos encaixam bem e o texto está optimamente redigido.

Espero por proximos post`s.


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Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
que não deixa de ter em conta a
produtividade e crescimento do país,
gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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