Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Manuel Alegre mostrou-se muito rápido a comentar e a criticar a situação de Elisa Ferreira no Porto e de Ana Gomes em Sintra. Comentário aliás que nada acrescentou ao debate político, para além de mais uma vez prejudicar o Partido Socialista ao fazer manchetes com assuntos que neste momento deveriam ser secundários.

 

A campanha nestes dois concelhos do Partido Socialista de certeza que dispensaria este tipo de atenção e comentário de um ilustre e histórico camarada. Este tipo de pensamento só beneficiará a campanha demagógica e de ataque pessoal que outras forças políticas têm conduzido às duas candidatas, preferindo o ataque «ad-hominem» à discussão das ideias e políticas por si só.

 

Se este comentário é legítimo, afinal nunca no PS se proibiram opiniões contrárias ou divergentes, em contraste por exemplo a um PSD que riscou Pedro Passos Coelho das suas listas apenas por não seguir a linha de Manuela Ferreira Leite, em mais uma amostra de um tique ditatorial, era necessário e urgente que Manuel Alegre tivesse a coragem e a limpeza de alma para esclarecer e assumir a sua opinião noutra questão.

 

Em Lisboa, a esquerda vai dividindo votos. Continuam a preferir atacar outro Partido de esquerda, como o PS, abrindo o flanco para a direita. É esta a esquerda curiosa que temos em Portugal e que nunca foi responsabilizada - preferem o combate ao PS e abrir caminho à direita. Este facto até tem uma fácil e óbvia explicação. Tanto Bloco de Esquerda como Partido Comunista fogem à responsabilidade governativa. Não querem assumir responsabilidades de reformas que normalmente e bem mais facilmente são bem mais criticáveis pela sociedade. Ao invés disso sentem-se confortáveis como partidos de protesto, cuja única função é "mandar vir".

 

Hoje, mais do que nunca, urge propor e procurar soluções de esquerda. Em Lisboa, particularmente, precisamente até pela abertura que António Costa tem demonstrado para com estes partidos de esquerda, ou extrema-esquerda, como a muitos dá a entender.

 

Posto isto, temos em Lisboa uma candidatura especial. Helena Roseta. Representativa, na esquerda, de uma ex-militante do Partido Socialista e especial seguidora de Manuel Alegre. Nas sondagens até este momento, tem tido uma expressão residual, de apenas 6%, mas bem importante, já que pode significar o futuro da Câmara Municipal de Lisboa, podendo desequilibrar à esquerda dando uma vitória injustificável e incompreensível a uma direita demagógica e populista de Lisboa.

 

Face a isto, devia também Manuel Alegre prestar declarações sobre a situação em Lisboa e assumir-se perante o eleitorado. Apoia uma candidatura independente e que poderá retirar o poder à esquerda lisboeta, ou apoia o seu Partido, o Partido Socialista e outro ilustre e histórico camarada como António Costa?

 

É uma questão de coerência e em tudo importante, que até poderá ser demonstrativo de como encara Manuel Alegre os combates políticos que se seguem proximamente e se está, como assumiu à pouco tempo, efectivamente solidário com o Partido Socialista.

 

Seria de todo desejável que se conseguisse um acordo e um sentido de apoio político de esquerda para Lisboa ( até mesmo para o país com situação quase idêntica ). Helena Roseta pode ter aqui um papel essencial. Se quer continuar com esta cavalgada sem sentido e entregar o poder à direita e Pedro Santana Lopes, ou arranjar uma solução governativa de esquerda para Lisboa.

 

Também postado em www.blogjsfaul.blogspot.com



Luís Pereira às 16:51 | link do post | comentar

1 comentário:
De João Fernandes a 13 de Julho de 2009 às 17:06
Concordo com a analogia feita, parece-me bastante real e absurda, no sentido em que Helena Roseta têm sido um " obstáculo" à boa governação de António Costa em Lisboa, é certo que é necessário mobilizar o eleitorado, mas que partilhem do mesmo sentido de desenvolvimento para a cidade e convictos que são boas escolhas, logo a esquerda em Lisboa deveria ser mais coesa, mas não conseguindo encontrar um consenso válido, a Dra Roseta, podia muito bem ser mais correcta com o PS e tomar uma posição directa e objectiva, nas suas intenções, tal como Manuel Alegre, é claro...


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Deputados ausentes

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variados mas as faltas continuam
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pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
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por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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