Sábado, 11 de Julho de 2009
Sócrates é muito mais importante para a nossa vida de hoje do que Dias Loureiro e o “negócio” que ele tentou ocultar para aparecer como facto consumado é muito mais perigoso do que as aventuras dos offshores de Porto Rico.

 

 

Vale a pena ler este texto todo, de que cito apenas a frase obscena. Faz parte da contínua, espectacular, campanha de destruição do carácter de Sócrates, na qual o Pacheco é um dos mais activos e virulentos agentes. Foi a esta miséria que se reduziu a estratégia da oposição à direita desde o fracasso de Marques Mendes; o qual tem agora, face ao que aconteceu ao seu partido depois de ter saído, o distinto mérito de ter ensaiado uma qualquer alternativa. Até o PCP e BE se aliam ao PSD e CDS para denegrir a pessoa em vez de respeitar a função, como acontece no caso BPN. O que se tem dito contra Constâncio não passa de um flanqueamento a Sócrates. A intenção é a de que um alvo de suspeitas que põem em causa a sua honorabilidade apareça à opinião pública como protector de alguém considerado culpado, assim reforçando as suspeitas que lhe têm sido lançadas. Pretende-se deixar a imagem de que o Governador do Banco de Portugal foi, de alguma forma, co-responsável pelos actos danosos dos responsáveis da SLN e do BPN. E que na origem dessa passiva, ou activa, cumplicidade estaria uma incompetência técnica ou falha ética. Caso se atinja o objectivo de colocar na supervisão o mal maior, estará feito um decisivo branqueamento das causas que levaram à nacionalização do BPN. A diminuição moral de Constâncio, ou o descrédito do Banco de Portugal, tem directos beneficiários: os prevaricadores que lucraram e deram a lucrar.


A frase do Pacheco, supra, emana de um caldeirão de veneno. Afirma que Sócrates pretendeu ocultar o negócio PT-TVI para que aparecesse como facto consumado. Ora, isso é operacional e legalmente impossível. O negócio teria de passar por fases de avaliação variadas, todas elas públicas e passíveis de o anular. Este negócio jamais poderia ser ocultado fosse por quem fosse, evidentemente. Mas o Pacheco é como o Vilarinho: está-se cagando para o Estado de direito porque faz parte de um clube, o JPP. Nessa soberba, avança para a insídia, nem sequer explicando qual o perigo do negócio supostamente ocultado. Contudo, atreve-se a dizer que a aquisição de uma parte do capital da TVI pela PT é algo muito mais perigoso do que as actividades de Dias Loureiro em offshores. Ou seja, informa que todos os envolvidos no eventual negócio PT-TVI, considerado unanimemente legítimo no plano comercial e de mercado, são muito mais perigosos do que os envolvidos nos negócios da SLN e BPN em investigação. Esta declaração é espantosa, quase tão espantosa como o silêncio que teve como resposta. E ainda tem esse elemento pícaro de fazer de Moniz mais um mentiroso e conspirador ao serviço do Governo, um vero aliado de Sócrates (pasme-se e engulam o paradoxo), posto que ele apoiou a possibilidade de compra. De facto, a paranóia não é uma raça em extinção na Marmeleira. E se não for paranóia, é porque é algo pior. Muito pior.

Agora, atente-se nesta maravilha da falta de vergonha: aventuras dos offshores de Porto Rico. É assim que se caracteriza o problema Dias Loureiro. Afinal, apenas um aventureiro em terras distantes, tropicais, exóticas. Que mal tem? Os aventureiros arriscam. Uma vezes corre bem, outras nem por isso. Mas é lá com eles, é apenas dinheiro, não representa perigo algum. Ou seja, e desta forma debochada, o Pacheco escolhe ocultar, por completo, o sofisticado e poderosíssimo papel de Dias Loureiro, peça central do PSD durante todo o cavaquismo e muitos anos seguintes, adentro dessa máquina financeira organizada para burlar particulares, empresas e autoridades. Este mesmo Pacheco — a quem nunca ninguém tinha lido uma linha, in illo tempore, contra a frouxidão do regulador — parece ignorar o que está em causa quando nomes como Dias Loureiro, Oliveira Costa, Daniel Sanches, Rui Machete, Amílcar Theias, Joaquim Coimbra, Lencastre Bernardo, Arlindo de Carvalho e Cavaco Silva enriquecem numa instituição metodologicamente vocacionada para o logro. Eis um ponto a precisar de higiénico contraponto.

 

Aspirina B



Luís Pereira às 20:33 | link do post | comentar

pesquisar...
 
Artigos recentes

Progressividade fiscal e ...

Cidadania europeia: o nov...

O progresso...

@ convidad@ da semana - J...

O Homem a fazer de Deus

O gineceu político do PSD

@ convidad@ da semana - C...

Os tiros nos pés do PS

A Democracia Hoje

NotíciasJS - 1.º Noticiár...

Jovem Socialista - Jornal...

Assim vai Cuba...

@ convidad@ da semana - P...

Jovem Socialista Poadcast...

JS em Entrevista - Progra...

Quid iuris?

@ convidad@ da semana - P...

Repugnante

Curtas

@ Convidad@ da Semana - J...

EUA: fez-se história

@ convidad@ da semana - M...

PSD... ou PCP ? ou o desn...

Democracia ao estilo do P...

A pérola II

A pérola

A Europa continua a ser v...

Futurália

"Virou-se o feitiço contr...

Lendo as notícias de hoje...

Frase do dia

MMG

Edições impressas do Jove...

Acompanhe todas as notíci...

Princípios da Administraç...

Da série "aos 10 anos já ...

Da série "aos 10 anos já ...

Da série "aos 10 anos já ...

Neda,

Mutilação Genital Feminin...

Orgulho em ser socialista

Dos EUA...

Por uma política com "P" ...

É da vida...

Notícias que interessam: ...

aCima & aBaixo

Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
que não deixa de ter em conta a
produtividade e crescimento do país,
gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
links
Sotão

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

tags

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds