Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

A vida política não é fácil. Diga-se o que se disser, há boas pessoas e más pessoas como em todo o lado, com uma diferença: o nível de responsabilidade, visibilidade e sentido de estado com que todo e qualquer político vive.

 

Servir a causa pública deve ser uma coisas mais fascinantes que conheço, mas assumo que começa a ser cada vez mais difícil. Não propriamente no objectivo ou substância vontade, mas antes pela vontade. Esta é um reflexão interessante e que partilho com Manuel Pinho. Admito que podem olhar para esta reflexão como algo tendenciosa, por causa do momento em que a faço, mas acreditem que é uma reflexão que partilho com algumas pessoas há algum tempo.

 

Para além de todo o tempo que consome uma função política, principalmente ministerial, onde se está 24/7 ao serviço, para além dos insultos ( sim, porque a critica é facilmente compreendida e sem dúvida aceitável, agora o que se assiste muitas vezes ultrapassa o aceitável ), seja por outros políticos ou por um qualquer cidadão, temos muitas vezes uma verdadeira caça ao homem e à vida privada por parte dos meios de comunicação.

 

Acredito, sem dúvidas, que isto pode levar qualquer um a perder a paciência. Isto é tudo verdade, mas uma pessoa nunca deve baixar ao nível dos que aqui critico. Devem-se encarar todos estes factos com uma tranquilidade de santo. Posto isto, acho perfeitamente possível um político perder a paciência e ter um acto menos digno. Como se diz, todos somos humanos, logo podemos errar. Porque se criticas são algo naturais, até pelo sistema democrático em que vivemos, criticas injustas e muitas vezes ofensas pessoais, são coisas que qualquer um não suporta, ou por outro lado, suporta até o dia, já que a paciência tem limites.

 

Se um político muitas vezes tem mais capacidade de encaixe, face aos anos de experiência, acredito que seja muito mais difícil a uma pessoa, que não é profissional da política, viver com este constante desafio. O que nos leva a uma reflexão: se as pessoas são assim tão mal tratadas, como se espera que excelentes quadros profissionais, a trabalhar para privados afastados de todos estes desafios, aceitem cargos públicos para defender os melhores interesses do país?

 

Hoje Manuel Pinho errou. Teve a decência de o reconhecer e de o tentar emendar. A atitude é em tudo criticável. Os motivos são compreensíveis. José Sócrates e o Governo reconheceram o erro. Merecem o meu aplauso.

 

Aplauso, leu bem e não me enganei. Reconhecer um erro é hoje muito mais do que qualquer outro faz. Ninguém assume responsabilidades pela herança que deixou ao país.

 

Seja desastrosos negócios com o citigroup ou rede fixa da PT, que Manuela Ferreira Leite nega e não assume. Mais do que o interesse do país, preferiram usar artifícios para esconder o défice com deixavam o país.

 

Seja uma enormíssimo investimento em submarinos que servem não se sabe bem quem, se é que com tamanho investimento já serviu para alguma coisa.

 

Seja o assumir de compromissos como o TGV ou a terceira auto-estrada, no caso do TGV a nível internacional,  e agora negar esses compromissos e pior, criticá-los como se não tivessem relacionados com eles. E a questão não passa tanto pela sua viabilidade, muito mais a cedência ao populismo da critica fácil e o receio que outros partidos criem obra fundamental para o país.

 

Seja as políticas desastrosas que deixaram o país num estado ruinoso depois da governação com que Manuela Ferreira Leite, Santana Lopes, Paulo Portas, Paulo Rangel e pares brindaram o país.

 

Seja um partido não condenar a atitude de várias pessoas que foram destacados militantes e fizeram das maiores fraudes que já se viram em Portugal. Preferiram esconder-se em vergonha.

 

Seja um partido que não assume responsabilidade nas ofensas físicas consumadas numa rua pública, justificando-se com opiniões políticas diferentes que podiam ser vistas como ofensivas.

 

Face a isto tudo, como posso deixar de aplaudir um político que assume o seu erro? Como posso deixar de aplaudir um Partido que assume o erro de um político do Governo da sua cor?

 

Atitude nobre e humilde assumiram hoje Manuel Pinho, José Sócrates, Governo e Partido Socialista.

 

Atitude nobre que, por exemplo, na oposição não se vê. Manuel Pinho não conversa sozinho. Houve quem o provocasse, e essas provocações vieram do Partido Comunista.

 

Atitude nobre que Paulo Rangel não teve. Depois de meses a fazer campanha a criticar figuras do PS, mal foi eleito para o Paralamento Europeu rapidamente se mostrou disponível para abandonar para vir para o governo. Por falar em duplas candidaturas...

 

Atitude nobre que o próprio PSD não teve. O tal partido que se julga único detentor da verdade, sendo todos os outros mentirosos ( facto curioso, MFL foi há bem pouco tempo apanhada numa mentira), não demonstrou tanto interesse em condenar publicamente as atitudes de um seu deputado, só por acaso vice-presidente da bancada parlamentar, que a alto e bom som já ofendeu Primeiro-Ministro e ameaçou fisicamente um deputado do Partido Socialista em pleno parlamento.

 

Uma atitude rara, merece ainda mais aplausos pelo seu mérito. Acabo desejando as maiores felicidades ao Manuel Pinho e a toda a sua família. Com todas as contrariedades, fez um bom trabalho na defesa da causa pública e será sempre recordado pela importância que teve a manter muitos postos de trabalho e a criar condições para o desenvolvimento futuro do país. Um exemplo: as energias renováveis são fruto de uma enorme visão estratégica de futuro deste governo e, em especial, de Manuel Pinho.

 

Tenho dito.

 



Luís Pereira às 22:47 | link do post | comentar

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Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
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gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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