Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

Há dias passava pela Praça D. Luís I, em Lisboa, quando no centro da Praça me chama a atenção a imponente estátua de Sá da Bandeira, estadista do séc. XIX que por diversas vezes foi Chefe de Governo. Mas o que mais me causou admiração foi perceber que a estátua tinha sido feita e inaugurada “Por subscripção pública” em 1884.

 

Quem são os Sá da Bandeira de hoje? E onde estão os “subscriptores” dos nossos dias? O que se passa com as pessoas, exaustas da política e dos políticos ao invés de se entusiasmarem com a exaltação daqueles em quem reconheceram verdadeiros representantes? Será delas a culpa? Ou dos políticos de hoje?

 

Se por um lado o desinteresse contemporâneo é resultado de um clima político mais tranquilo e de uma estabilidade na vida política nacional, isso não explica a reacção (ou falta dela) que a maior parte dos portugueses tem pela política.

 

Houve tempos em que acreditei firmemente que o que afastava as pessoas da política era principalmente a sua atitude passiva. Como consequência, cabia aos que criticavam a política e os políticos ser os primeiros a tentar mudar as coisas, a envolverem-se, a deixar de ser “treinadores de bancada”, a se organizarem e expulsar os "maus políticos".

 

Não mudei completamente de opinião. Mas reconheço hoje nessa visão alguma inocência. O comportamento do político é absolutamente fundamental para a política ser reconhecida como algo nobre e digno de respeitabilidade pública. A coerência é necessária, tal como a abertura às críticas, a clareza, a capacidade, a transparência e a lealdade. E ainda o verdadeiro espírito de missão na política, ou seja, o desapego a cargos.

 

No ano que se comemoram os cem anos da implantação da República, a ética republicana devia-nos fazer reflectir sobre aquele que é o nosso singelo contributo pessoal para uma melhor sociedade enquanto jovens socialistas. Se ele se rege por esses desígnios estaremos à altura do nosso tempo. Caso contrário, não poderemos esperar mais da política que contribuir para o seu enterro.

 

Acredito que na Juventude Socialista a maior parte dos seus membros se rege por altos padrões éticos, querendo genuinamente contribuir para uma sociedade mais justa e fraterna. Faz isso parte da nossa matriz identitária que devemos continuar a honrar neste ano de celebração da República e nos muitos de combate político que se lhes seguirão.

 



Pedro Silveira às 00:17 | link do post | comentar

Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Depois de muitos delirarem com o anuncio que Portugal correria o risco de entrar numa rota descendente rumo à bancarrota, à semelhança da Grécia, eis que chega o resultado e a resposta dos mercados à notícia, que me parece mais do que positiva e bem mais optimista.

 

‘Depois da Moody’s ter vindo ontem colocar Portugal e Grécia num mesmo saco – o dos países que terão uma morte lenta -, os mercados reagiram de forma muito diferente, salienta a Bloomberg que diz que, em reacção à avaliação da agência de notação de risco, o preço dos seguros contra risco de incumprimento (os CDS) aumentou 49 pontos base para 328 no caso grego, tendo permanecido quase inalterados nos 105 pontos no caso português. E por isso titula o seu artigo com um “Os mercados apostam no incumprimento grego”.’

 

[e.conomia.info ]

 

Notícia positiva, mas é como dizia o outro, não se pode agradar a Gregos e a Troianos.

 

Esta notícia já não criou grandes delírios...mas ainda mais há a dizer. A agência que hoje diz isto,  foi também notícia em Julho do ano passado:

 

"A Calpers, maior fundo de pensão público dos Estados Unidos, processou as três maiores agências de rating [Moody's, Standard & Poor''s e Fitch] por dar notas perfeitas a ativos que mais tarde sofreram grandes perdas com hipotecas subprimes."

 

Uma notícia que vá, não abona a favor da credibilidade desta agência.



Luís Pereira às 00:47 | link do post | comentar

A consultora Deloitte diz que a rede portuguesa de Alta Velocidade ferroviária dará um contributo favorável ao turismo nacional e defende que a promoção de Portugal e Espanha deve ser feita conjuntamente em mercados longínquos. Leia mais no link.

 

 



Luís Pereira às 00:43 | link do post | comentar

Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Começar por dizer que sou fã de Jon Stewart, também ele um exemplo, mas vamos ao que interessa. Já aqui se falou da aposta/investimento do executivo norte-americano nas infra-estruturas, como a alta-velocidade, como parte do plano de recuperação da crise económica. Fica aqui uma entrevista que o comprova, um exemplo pela boa disposição e conteúdo, de um político que curiosamente é ... republicano.

 

 

 

 

The Daily Show With Jon Stewart Mon - Thurs 11p / 10c
Ray LaHood
www.thedailyshow.com
Daily Show
Full Episodes
Political Humor Health Care Crisis


Luís Pereira às 03:07 | link do post | comentar

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Hoje sabemos que a recessão não foi "tão profunda e prolongada" como se esperava. Resultado, porventura, de uma governação atenta e activa, um executivo que muito fez para contrariar as piores expectativas. Sabemos ainda que Portugal pode voltar a crescer este ano, 0,7%, acelerando no próximo ano para 1,4%.

 

Dados que têm por base "uma recuperação gradual e moderada da actividade à escala global". Sabendo isto, também devemos ter em mente que muito há a fazer. Os sinais são positivos. Como já têm sido há algum tempo. Não podemos é ignorar uma taxa de desemprego elevada. As dificuldades sociais que se mantêm. É, alias, neste ponto, que é um pouco chocante ler que o aumento do salário mínimo foi um dos maiores ataques aos direitos sociais já feito. Não sei como qualificar tal afirmação. Deixo-a aqui, para tirarem as vossas conclusões sobre o pensamento e responsabilidade social da direita portuguesa:

 

    'A subida do salário mínimo constitui o maior atentado das últimas décadas às classes desfavorecidas.'

João César das Neves, no Diário de Notícias (11.01.10)

 

Se isto fosse um jogo de futebol diria que estamos no intervalo de um jogo complicado, em condições adversas, mas que nos propomos a conquistar sem direito a descanso.



Luís Pereira às 16:31 | link do post | comentar

Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Depois de algum tempo sem escrever neste espaço privilegiado de comunicação dos jovens socialistas, de que quem me conhece bem, como o Tiago Gonçalves e o Luís Pereira, sabe que sempre fui apologista, regresso com um tema que exactamente por ser (demasiadamente) pouco abordado pelas juventudes partidárias me interessa aflorar.

 

Esse tema é a pobreza mundial. Com cerca de 6 biliões de habitantes, o planeta tem 1 bilião de pessoas consideradas como “extremamente pobres”, o nível máximo de privação de condições básicas de subsistência e dignidade humana. Ainda que estejam em causa números tão expressivos, o tema parece passar ao lado da maior parte das juventudes partidárias portuguesas. Já não refiro os partidos políticos, assentes no seu próprio comodismo, mas a juventude, essa juventude sonhadora e construtora de um futuro melhor que gostamos de acreditar que somos e muitas vezes nos recusamos a ser, parece alheada de um dos maiores desafios da nossa geração: encontrar um modelo de desenvolvimento justo, equilibrado e ambicioso ao ponto de não excluir ninguém.

 

Relatórios internacionais, como o do PNUD “Desenvolvimento Humano” ou o do Banco Mundial “Combate à Pobreza”, têm apontado alguns caminhos: aposta na educação, saúde, infra-estruturas básicas, desenvolvimento industrial e agrícola, defesa dos direitos humanos, desenvolvimento sustentado. O segundo visava mesmo chegar à redução de metade dos pobres em 2015, meta já completamente fora dos horizontes possíveis.

 

Mas este diagnóstico, sendo importante, não chega para resolver os problemas sem auxílio internacional. É importante que as pessoas (e principalmente os dirigentes das principais potências) percebam que as dificuldades estruturais dos países com elevados índices de pobreza extrema não são resolúveis apenas com força de vontade. A espiral de pobreza crónica implica a necessidade de um “empurrão” rumo aos primeiros passos do desenvolvimento económico. Neste momento muitos destes países estão naquilo que é designado como a “armadilha da pobreza”, ou seja, sem possibilidade de recolha de impostos e de poupança não existe investimento público nem privado o que acumulado com o aumento demográfico e as catástrofes naturais faz com que geração após geração diminua o rendimento familiar, agravando a pobreza.

 

Muitos estudiosos qualificados, como o Prof. Jeffrey Sachs ou o Prof. Paul Collier, têm alertado para a necessidade de aumento das contribuições dos países ricos. Com efeito, bastaria 0,7% do PNB destes países para muitos países pobres conseguirem entrar no ciclo virtuoso do desenvolvimento. Não para ficarem ricos, mas para conseguirem as suas famílias armadilhadas pela pobreza poupar, investir, pagar impostos para investimentos públicos, aumentar o seu rendimento. Enfim, iniciarem o mecanismo de acumulação de capital que lhes permitirá escapar a uma vida de extrema pobreza.

 

 

É simples: ou somos partidários de que não existe responsabilidade social mundial, dando-nos aos luxos do costume, ou então decidimos ter uma voz activa na defesa de um mundo melhor.

 

Vale a pena pensar nisto…

 



Pedro Silveira às 17:56 | link do post | comentar

 

Não sei a que título João Salgueiro foi recebido em Belém, não deve ter sido por ter deixado a Associação de Bancos pois esta é uma mera instituição privada, também não deve ter sido por ser um velho amigo de Cavaco pois se assim fosse entrava e saia pela porta dos fundos. Pela forma como se expressou à saída fiquei a perceber que só lá foi para dar entrevistas à comunicação social para lançar alarme e dizer o que Cavaco quer que se ouça.

Só que a Presidência da República não é nem pode ser tratada como uma mera concelhia do PSD, mas foi assim que João Salgueiro tratou a Presidência da República, mais parecia um Paulo Rangel a falar num dos seus almoços do que um político reformado. Não vejo mal que Cavaco convide velhos amigos para beber um copo, só que seria desejável que os seus amigos se comportassem com menos arrogância.

 



Luís Pereira às 11:32 | link do post | comentar

Domingo, 10 de Janeiro de 2010

O que se diz de um país onde, há 3 meses, houve eleições que o nosso partido perdeu? Diz-se que "atravessa uma crise política". Rangel. Um fail. by Paulo Querido.



Luís Pereira às 20:50 | link do post | comentar

Um site que se dedica a sugerir os melhores locais para viver, coloca Portugal em 21.º lugar, numa lista de 194 países. O ranking socorre-se dos habitais indicadores para estas matéria, mas também de outros menos convencionais. Essa é, de resto, a sua mais-valia:

 

We know from experience that there are a host of places around the world that are cheaper...healthier...safer...freer... than you ever thought possible. Our job is to help you discover those places, and then to help you take advantage of the opportunities they offer—opportunities to improve your quality of life...to lower your cost of living...to invest for profitable return—before the rest of the world catches on.

 

De salientar que, na classificação de Portugal, avultam os excelentes resultados para a segurança e liberdade (nota máxima!), enquanto que a pior nota vai para a falta de infra-estruturas. Interessante, não é?



Luís Pereira às 20:47 | link do post | comentar

Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010



Luís Pereira às 16:01 | link do post | comentar

Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Para se desejar feliz ano novo, nunca é tarde demais. Podemos pensar um pouco no que nos espera. Não será, de certeza, um ano de facilidades. O auge da crise internacional já passou, mas ainda se sente de forma efectiva em vários país. Vide a desilusão de Barack Obama face à dificuldade em combater o desemprego. Curiosamente, neste sentido, assumiu como uma das suas maiores prioridades a aposta nas energias renováveis, um campo em que Portugal brilha a nível internacional face a uma estratégia bem delineada de investimento pelo anterior executivo e pelo ex-Ministro Manuel Pinho.

 

Se a crise ainda se faz sentir, este é também um ano de expectativa: vão dar resultado ou não os apoios estatais, os pacotes anti-crise. Se é um facto que, comparativamente, os estados-membros da União Europeia despenderam uma menor percentagem do seu PIB em planos de recuperação do que EUA e China, alguns falam já hoje em diminuir esse investimento e apoio dos estados. Uma decisão que se pode revelar precipitada e me parece algo insensível às dificuldades que a sociedade atravessa.

 

Em Portugal, o Governo abriu caminho à participação dos partidos na elaboração do próximo Orçamento de Estado. Porta aberta ao dialogo....não é a primeira vez, mas até agora não teve grande receptividade da parte da oposição. Chamados à responsabilidade, estes têm fugido. Não podem depois querer mudar as regras do jogo a meio, como o fizeram bem recentemente.

 

A forma de encarar tudo isto só pode ser com optimismo, se "nunca se viu um pessimista a criar um posto de trabalho", a economia também precisa de confiança, de um ambiente propício à recuperação.



Luís Pereira às 11:09 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
que não deixa de ter em conta a
produtividade e crescimento do país,
gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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