Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

O Jovem Socialista conta com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, o convidado vem da sociedade civil, sendo independente, o que acentua a abertura deste espaço opinativo. É Paulo Correia, jovem jornalista de sucesso, tendo passado por diversas publicações, sendo agora editor da revista Playboy em Portugal. 

 

O poder dos media

 

Malcolm X, conhecido activista americano que lutou contra o racismo, disse uma vez que os "media são a entidade mais poderosa do planeta. Têm o poder para tornar os inocentes culpados e os culpados inocentes, e isso é poder. Porque eles controlam a mente das massas". Não podia estar mais correcto. Os media sempre foram rodeados de enorme poder e, usados de uma forma errónea e descuidada, podem conduzir a população a tomar decisões condizentes com uma realidade que não é verdadeira, pois a sua função é entreter e informar a população através de conteúdos seleccionados pelos próprios responsáveis editoriais. O perigo nasce com a forma de difundir esses mesmos conteúdos/informação e a tipologia com que isso é feito, pois a informação fornecida tanto pode ser útil e suscitar o debate e discussão em torno de um tema, como pode apenas alienar a população, determinando um modo de pensar em vez de originar um debate - isso observa-se muito no mundo da publicidade onde nos é dito que produtos devemos comprar.

 

Mas o que se vê em grande parte das televisões mundiais, e nas portuguesas em particular, é a tentativa de "venda" de um pensamento que perpetua o já de si natural descontentamento da população portuguesa. Existem meios de comunicação no nosso país que tentam aproveitar-se desse mal-estar para dar aos seus telespectadores, não aquilo que precisam, mas algo que perpetue o seu pensamento, quer este esteja certo ou errado. Podemos observar isso através dos diversos telejornais da nossa televisão, a forma como são interpretadas as notícias, a entoação dada a umas e retirada de outras, tudo isso influencia a forma do telespectador experienciar aquilo que vê. Actualmente, ao ver os telejornais, os indivíduos estão muitas vezes insensíveis ao que se passa, abdicam da sua liberdade e deixam-se ser controlados. Desde que existem os meios de comunicação tais como os conhecemos, os governos e as classes sociais mais poderosas sempre foram apontados como sendo os responsáveis pela manipulação dos mesmos, para levar o povo a fazer o que desejam que faça e manter a população na ordem. Claro que nem sempre é isso que acontece.

 

Temos vindo a observar, com o desenvolvimento desenfreado da internet e o "boom" dos meios de comunicação privados, controlados por grupos económicos poderosos com a sua própria agenda política, que os governos e demais entidades políticas deixaram de ser considerados como os principais actores por trás da agenda mediática imposta. Aliás, tem-se verificado o exacto oposto: nas últimas duas décadas tem-se assistido a uma cada vez maior interferência dos media em questões do foro económico e político - como podemos observar com a recente polémica entre José Sócrates e a TVI. Não quero com isto dizer que esta mudança é má, acaba por ser uma forma de produzir informação similar à que já existia, mas na qual o detentor do "poder" deixou de ser o estado e passaram a ser os grandes grupos económicos. Definir qual o melhor dos dois parece-me um exercício vão e que acabará por produzir sempre o mesmo resultado, que o melhor modelo para o povo ainda está para chegar.

 

O que se tem verificado, com o aparecimento de grandes conglomerados económicos, responsáveis também pelos media, é que a informação tende a ser definida pela audiência que irá gerar, pela garantia de lucro, o que provoca uma ruptura no papel que é atribuído aos media, de quarto poder, regulador de todos os outros poderes, e de garantia da democracia. Quando o objectivo máximo é a garantia de lucro, as funções sociais dos meios de comunicação social (funções educativas, culturais, informativas, etc...) são esquecidas e a diversidade de informação e a própria discussão necessária para um avanço social dos cidadãos é posto em causa.

 

O mesmo tem vindo a acontecer nos diversos meios de comunicação portugueses, de uma forma menos acentuada do que noutros países, mas acontece. Conglomerados financeiros, alguns que nem são portugueses, têm vindo a delinear a forma de pensar da nossa sociedade, "mostrando-nos" o que está bem, o que está mal, o que devemos comprar e usar. Medidas terão que ser tomadas de forma a garantir que os media voltarão a ocupar o lugar que sempre lhes foi destinado, um local de debate e de ajuda para o despertar de consciência social.

 

Paulo Correia



David Erlich às 14:49 | link do post | comentar

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Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
que não deixa de ter em conta a
produtividade e crescimento do país,
gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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