Sexta-feira, 25.06.10

Nesta notícia, podemos ver a intenção do PSD colocar um limite constitucional à carga tributária, a nível dos 40 %.

 

Recorde-se que o PS, na legislatura anterior, aumentou a taxa máxima do IRS de 36 % para 42 %, tendo, recentemente, aumentado a mesma para 45 %, de acordo com uma ideia de solidariedade social: que mais tem deve contribuir mais para a construção do Estado Social.

 

Ora, um dos defensores da proposta do PSD, segundo a notícia referida, justifica a mesma com o seguinte: “É preciso libertar a sociedade. [Com mais de 40 % de impostos] onde fica a liberdade privada e a economia privada] ?

 

Esta defesa parte de uma falsa oposição entre Estado e liberdade, entre Estado e iniciativa privada. Os impostos não vão para um buraco negro. Pelo contrário, muitos dos impostos são investidos em despesas estatais que, precisamente, visam dar mais liberdade àqueles que, sem a ajuda das prestações sociais, não teriam a capacidade para, com dignidade, prosseguir os seus sonhos e objectivos de vida. A progressividade fiscal, que o PSD quer travar, serve, precisamente, para garantir liberdade de acção e de iniciativa a todos os cidadãos. Isto é, o Estado não se apodera da riqueza; o Estado simplesmente a redistribui, aumentando a possibilidades de liberdade e de iniciativa às camadas mais desfavorecidas da sociedade.



David Erlich às 00:56 | link do post | comentar

Quarta-feira, 23.06.10

Com o Tratado de Lisboa a interessante (e muito importante) questão da cidadania europeia, introduzida pelo Tratado de Maastricht, ganhou de novo relevância. Aquele Tratado traz, com efeito, algumas inovações que a visam promover e consolidar das quais ressalta, no âmbito de uma dimensão de democracia semi-directa, o direito de iniciativa popular.

 

Consta do Art. 11.º n.º 4 do TUE (que remete para o 24º do TFUE) e confere a possibilidade de 1 milhão de cidadãos da UE tomarem a iniciativa de convidar a Comissão Europeia a praticar um acto jurídico que considerem adequado.

 

As vantagens na consolidação de uma cidadania europeia que ultrapasse a mera concepção jurídico-formal manifestam-se nomeadamente na criação de um sentimento de comunidade política comum, na aproximação das decisões europeias aos seus destinatários, no fomento do acompanhamento dos assuntos europeus pelos cidadãos, na criação de redes transfronteiriças de cidadãos e na criação de um espaço de debate público europeu.

 

Numa altura em que a União Europeia é tida por grande parte dos cidadãos europeus como uma inevitabilidade e não como um projecto político que lhes confira identificação imediata, este tipo de mecanismos são bastante importantes. Resta agora saber como será regulamentada e como será aproveitada pelos cidadãos. Ambas as coisas são faces da mesma moeda: a cidadania exige decisores empenhados em criar boas medidas de participação cívica e política e cidadãos que estejam dispostos a aproveitá-las com empenho e responsabilidade.

 

(Artigo também em svmma-libertas.blogspot.com)



Pedro Silveira às 01:35 | link do post | comentar

Terça-feira, 01.06.10

chega às escolas, contra a discriminação e o preconceito.



David Erlich às 21:57 | link do post | comentar

Quarta-feira, 26.05.10

O Jovem Socialista conta com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, o convidado é João António, Presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa da Juventude Socialista.

 

O metro ao serviço dos jovens

 

A aposta do Estado e de outras entidade públicas nos transportes públicos colectivos representa um exemplo de uma medida de grande alcance transversal para os cidadãos e para a qualidade de vida nas grandes cidades, promovendo mobilidade a preços acessíveis, favorecendo a racionalização do transporte nas grandes áreas metropolitanas e oferecendo um meio de locomoção ambientalmente sustentável.

 

Neste contexto, e considerando ainda outras potenciais vantagens da promoção da utilização de transportes colectivos na nossa área metropolitana e a experiência positiva de outras cidades europeias, das quais Barcelona e Berlim são os exemplos mais evidentes, entendemos que o metropolitano deve ser privilegiado como meio de transporte para a população que frequenta espaços de diversão nocturna, particularmente os que se localizam na cidade de Lisboa, nas noites de maior afluência às zonas tradicionais de bares, discotecas, teatros e outras centros de diversão e espectáculos, devendo o seu horário ser alargado nas noites de Quinta-Feira, Sexta-Feira, Sábados e vésperas de feriados.

 

Na realidade, trata-se de uma medida que não se limita a oferecer conforto a alguns apenas, antes ambiciona a criação de uma alternativa para todos com a vantagem de promover um meio de transporte amigo do ambiente e um aumento da segurança rodoviária: alcança-se uma redução dos carros em circulação, diminuem-se as dificuldades de estacionamento, muitas vezes irregular, em zonas saturadas de veículos, reduzem-se os riscos de acidentes rodoviários associados ao consumo de álcool e promove-se um aumento do número de utilizadores da rede de metropolitano, permitindo a viabilidade económica do alargamento de horário e o reforço da segurança dos passageiros. Acresce ainda que esta necessidade se torna ainda mais premente para aqueles que, não sendo de Lisboa e residindo em municípios vizinhos, dispõem de poucas ou nenhumas alternativas ao transporte próprio/privado.

 

Esta é uma causa de tod@s os jovens da Área Metropolitana de Lisboa pelo que não só a Juventude Socialista como também a Sociedade Civil deve ser mobilizada e chamada a intervir.

 

João António



David Erlich às 00:11 | link do post | comentar

Segunda-feira, 24.05.10

Craig Venter e a sua equipa conseguiram reprogramar pela primeira vez uma célula de forma artificial.

Utilizaram a informação genética da bactéria “M. mycloides” e a partir de um computador redefiniram o seu código genético injectando-o numa célula de uma bactéria parecida, a quem tinham retirado toda a informação genética.

Criaram assim uma nova bactéria capaz de limpar a água, capturar dióxido de carbono ou mesmo acelerar a produção de vacinas.

Os cientistas divergem sobre se foi realmente criada a primeira célula sintética que permite a criação de vida artificial, do nada.

Em 15 anos Craig Venter conseguiu um financiamento de 40 milhões de euros, que permitiu a criação desta bactéria que promete revolucionar a ciência com as suas múltiplas capacidades de aplicação. Algumas delas estão previstas para daqui a cinco, dez anos, e passam pela possibilidade de reduzir o tempo de produção de vacinas, e até mesmo encontrar uma vacina para a sida.

Apesar do cientista frisar que não criou vida do zero, e que a célula que recebeu o ADN tinha a sua própria estrutura, muitos já o consideram um deus da nova geração.

Este pode, de facto, ser um passo na criação de seres vivos com capacidades extraordinárias e abre as portas a muitos avanços científicos.

Porém, tal como já anunciou o Vaticano, é preciso ter cautela no modo como se trata estas descobertas, também Barack Obama já manifestou as suas dúvidas, pedindo a investigação dos potenciais riscos futuros que esta bactéria, denominada “Cynthia”, pode trazer.

Por vezes o progresso científico surge antes do homem estar preparado para o receber, é por isso que não devemos ser demasiado ambiciosos, e é necessário ponderar não só os benefícios, como também as possíveis consequências que estas descobertas podem provocar.

É neste âmbito que a bioética ganha cada vez mais importância, pois muitas vezes podem estar em causa problemas tão graves como o terrorismo biológico.



Inês Mendes às 11:40 | link do post | comentar

Domingo, 09.05.10

A nova liderança do PSD foi uma autêntica desilusão no que diz respeito à igualdade entre homens e mulheres. O novo Conselho Nacional tem cinquenta e quatro homens e uma mulher. O órgão nacional de jurisdição tem sete homens e uma mulher. A direcção do grupo parlamentar tem também uma só mulher. Quanto à Comissão Nacional, o órgão com mais presença feminina, tem quatro mulheres em dezoito dirigentes, ficando, ainda assim, abaixo de um terço. Mesmo no órgão com mais presença feminina, o PSD não consegue atingir o valor percentual de presença feminina previsto, para os órgãos políticos públicos, pela lei da paridade: um terço.

 

Isto é algo que não deve apenas desiludir aqueles que, não sendo do PSD, esperavam mais do maior partido da oposição. Isto também deve desiludir os próprios militantes do PSD, que certamente, espero, não se revêem neste machismo. O próprio Professor Marcelo Rebelo de Sousa, insuspeito de fazer críticas ao PSD infundadas, manifestou a sua desilusão quanto a este aspecto, numa conferência a que assisti na Faculdade de Direito de Lisboa.

 

Podemos concluir que, assumindo como certo que há mulheres com grande qualidade política no PSD, algo que acredito ser verdade, as mesmas são discriminadas, não tendo acesso, apesar das capacidades políticas que seguramente têm, aos cargos de direcção nacional.

 

Esta discriminação significa que enquanto o PS cumpre a lei da paridade porque acredita na igualdade de género , o PSD a cumpre simplesmente porque a isso é obrigado, já que onde não é legalmente obrigatório incluir mulheres o PSD não hesita em remetê-las para um imerecido e conservador gineceu político.  Todos apregoam a igualdade de género como ideal. Infeliz e claramente, apenas alguns a concretizam como realidade.

 



David Erlich às 15:34 | link do post | comentar

Sábado, 08.05.10

O Jovem Socialista conta com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, o convidado é Carlos Granadas, Presidente da Federação Regional do Oeste da Juventude Socialista

 

A Governança e a Governação

 

O conceito de Governança, surge em primeiro lugar, da adaptação do termo anglo-saxónico “Governance”. No entanto a definição conceptual relativa ao termo não é consensual, remetendo para as mudanças no relacionamento entre o Estado e a Sociedade e, num segundo plano, para o aumento da dependência do Estado, que resulta em formas menos coercivas de aplicar os instrumentos de poder que tem ao seu dispor.

 

Segundo a perspectiva dos partidos da esquerda democrática, e do Partido Socialista em particular, a Governança é um processo no qual o Estado desempenha um papel de liderança, definindo e orientando a sociedade através de prioridades e objectivos, numa lógica de obtenção de resultados, mediados pela avaliação e planeamento da actuação do Estado, pela inclusão do conceito nos mais variados instrumentos de gestão e planeamento, como por exemplo: - a Estratégia de Lisboa, Planos de Acção Nacionais, Regionais e Locais, nos mais diversos âmbitos, Ambiente, Economia, Educação, Políticas Sociais, etc.

 

A forma como o Estado orienta os destinos da sociedade, promovendo o reconhecimento dos direitos sociais, através da consignação legal da universalidade dos mesmos, promove uma aproximação, ainda que de forma própria, ao conceito de Igualdade. Sendo que, nas questões sociais e económicas da actualidade tal dependerá da forma como procede. Assim sendo, a Administração Publica, num contexto de Governança desempenha um papel fundamental no procedimento administrativo. Através dela os problemas comuns entre Estado e Sociedade poderão ser abordados de forma vantajosa. Não sendo demais referir que isto será assim se entendermos o Estado enquanto agente principal, destacando-se através de uma intervenção forte e direccionada, na economia, na regulação de mercados e no controle de recursos estratégicos.

 

A agenda actual sobre o tema da Governança, tem incidido essencialmente sobre a actuação de governos, facilitando a actuação de outros actores sociais, tidos até então, como pouco relevantes ou acessórios na execução de Politicas Públicas, procurando-se com isto, por um lado, adaptar a acção das políticas públicas a determinados fins e objectivos que vão de encontro às expectativas e necessidades dos agentes envolvidos e, por outro, a necessária legitimação da acção através de novos procedimentos, promovendo a participação cívica dos cidadãos, como por exemplo, através da implementação de Orçamentos Participativos, iniciados e propostos em várias autarquias Socialistas um pouco por todo o país, ou ainda da assinatura de acordos em sede de Concertação Social.

 

A avaliação das Políticas Públicas

 

A avaliação como procedimento, regulamentado juridicamente, definido com critérios objectivos e científicos, tendencialmente consensuais, participados através da publicidade, de forma a garantir a transparência dos resultados alcançados e a colaboração ou participação de todos os intervenientes no processo, surge como um novo paradigma de legitimação dos processos de decisão, capaz de gerar o envolvimento do sistema social como um todo.  

 

Em suma, a avaliação vem introduzir um acréscimo de legitimidade às políticas públicas e à actuação da administração pública enquanto gestor de recursos. Ao permitir-se a participação alargada de cidadãos interessados nos processos de decisão e a divulgação da informação produzida em sede de avaliação, poder-se-á contribuir para que os resultados esperados com a implementação de políticas públicas vão de encontro às necessidades dos vários intervenientes, possibilitando a melhoria dos procedimentos administrativos e o desenvolvimento de uma cultura de gestão orientada para a obtenção de resultados, sem no entanto perder a necessária consciência das questões sociais que devem orientar a acção da administração pública. Esta visão, não se compadece com tentativas populistas de abordar questões que envolvam a acção do Estado, através do discurso sectário e doutrinal, até certo ponto incoerente, da oposição, que demagogicamente tenta passar a ideia de que o Governo está a atacar deliberadamente certos grupos ou interesses corporativos. De facto não está, o Governo está simplesmente a governar, é essa sua função, legitimado pelo voto livre e universal e pelo Estado de Direito Democrático em que vivemos.

 

A actualidade

 

Foi possível perceber que o “interesse nacional” do Dr. Passos Coelho, está limitado aos interesses de certos grupos, ou seja, segundo as declarações produzidas em Bruxelas, o líder do maior grupo da oposição deixa claro que o adiamento do investimento público programado e devidamente avaliado, deve ser adiado, pois, a sua realização não é favorável ao próprio sistema financeiro.

 

Pois bem, a crise que actualmente vivemos, os ataques especulativos e o “fascismo financeiro” introduzido pelas agências de rating, têm a sua origem num sistema financeiro que viveu e se desenvolveu ao abrigo das políticas neoliberais. Serão estas, novamente a ditar a resposta a uma crise que em grande medida é da sua responsabilidade?

 

Podem reformular-se discursos, remodelar imagens, mas o âmago neoliberal do PSD está e estará sempre presente na sua matriz ideológica, na sua visão do mundo e nos “interesses nacionais” que defendem, exemplo disso são as propostas avançadas quanto ao desmembramento do Serviço Nacional de Saúde, servindo os interesses dos investidores privados e deixando de lado o imperativo inalienável do direito à Saúde, assegurado pelo Estado a todos os cidadãos.

 

Carlos Granadas



David Erlich às 02:16 | link do post | comentar

Quinta-feira, 06.05.10

Os tiros nos pés protagonizados pelo meu partido, o PS – aquele que acredito ter a matriz genética mais adequada para avançar o País – são problemas causados pelo mesmo, sem necessidade, sem justificação ética, sem visão estratégica, de forma impopular e, por isso, penalizadora eleitoralmente.

 

Com um PSD que finalmente ameaça assumir-se como alternativa, o que é só é bom para a democracia pois a concorrência aumenta a qualidade, o PS não mais se pode dar ao luxo de protagonizar estes tiros nos pés.

 

Dou, seguidamente, exemplo de dois desses tiros nos pés.

 

O caso de Inês de Medeiros começou mal muito antes de se ter tornado polémico, já que em prol de uma real representatividade democrática e coerência parlamentar, a Senhora Deputada, morando em Paris, devia ter sido eleita pelo círculo eleitoral da Europa, e não pelo de Lisboa, tal como aconteceu. Aí reside a verdadeira questão; o facto de lhe serem pagas as viagens Paris/Lisboa não é errado per si; ao invés, é errado porque lhe estariam a ser pagas as viagens para e de um local pelo qual ela não foi eleita. E, aí, deturpa-se o conceito que preside à questão dos pagamentos das viagens em geral, pois uma coisa é pagar as viagens de um deputado para e do sítio por onde foi eleito, tratando-se assim de um pagamento que beneficia a qualidade democrática e a proximidade dos deputados face aos eleitores, e outra coisa é, simplesmente, pagar a viagem trabalho-casa a qualquer deputado/a independentemente de onde ele/a mora. As viagens de Inês Medeiros, a serem pagas, não seriam um investimento na democracia, mas sim uma simples, exagerada, injustificada e inconsequente regalia laboral. O PS ganhou esta batalha, e conseguiu o pagamento das viagens. Nós, Socialistas, ganhámos assim uma batalha impopular, na qual não tivemos razão, inútil, inconsequente e insignificante. Tudo isto para, no fim, a Senhora Deputada rejeitar, afinal, as viagens. O eleitor comum não vê o PS apostar numa verdadeira reforma eleitoral, que é tão necessária, mas vê o PS envolver-se em polémicas inúteis e das quais a imagem do nosso Partido sai claramente danificada. Eis um tiro no pé.

 

O outro tiro no pé que aqui destaco relaciona-se com a actividade do Senhor Deputado Ricardo Rodrigues, por quem nutro todo o respeito. Ele é, sublinhe-se, um homem livre e inocente de qualquer crime – não é isso que está em causa, e acusá-lo de alguma actividade criminosa passada é desacreditar a justiça portuguesa. O que aqui está em causa é a resposta à seguinte pergunta, resposta essa que, pelo menos de forma clara e fundamentada, com certeza não existirá: porque é que o PS escolheu para protagonista parlamentar uma pessoa demasiadamente agressiva, crispada, que criou offshores quando o nosso Partido é contra as mesmas, que participou em negociatas duvidosas, que está sempre zangado, que faz escárnio de camaradas em pleno Parlamento e que tem um carácter suficientemente frágil para furtar gravadores a jornalistas? O PS está repleto de militantes com capacidade e perfil para o combate parlamentar; camaradas dialogantes, positivos, que encaram os desafios com alegria, espírito mobilizador e carisma. Escolher Ricardo Rodrigues para ser uma das caras do nosso Partido é um tiro no pé. Independentemente das circunstâncias, das perguntas feitas, do desrespeito levado a cabo, um deputado do Partido que fez nascer a democracia em Portugal não pode furtar material jornalístico; é, arrisco-me a dizer, vergonhoso. Temos, Socialistas, de nunca nos esquecer que o respeito pelas normas democráticas não é um meio para atingir um fim; o respeito pelas normas democráticas é um fim em si mesmo. Se atropelamos o espírito da democracia – e furtar jornalistas é claramente um atropelo –, tudo fica distorcido à partida, pois a tolerância e o diálogo são valores que devem ser respeitados enquanto fins em si mesmos. O grande desafio da ética republicana é segui-la mesmo quando isso não nos é favorável. O grande desafio da política é fazer com que o poder esteja ao serviço das ideias, e não as ideias ao serviço do poder. Nós, Socialistas, não podemos querer exercer o poder pelo poder. Temos de querer exercer o poder pela grandiosidade das ideias de justiça, liberdade e solidariedade que servimos. Temos de querer o poder pela mudança que podemos causar na sociedade através do seu exercício. E, certamente, a sociedade na qual me revejo não é uma em que deputados furtam jornalistas, por mais ousadas que as perguntas destes possam ter sido.

 

Acredito que o PS é a força política com mais potencial para servir os ideais que as populações precisam de ver, cada vez mais, concretizados na realidade. Dedico horas e horas da minha vida à JS e ao PS, sabendo sempre, de forma altruísta, que aquilo que conta é aquilo que posso dar ao PS e JS e não aquilo que os mesmos me podem dar a mim. Sei que há, nos partidos em geral e o nosso não foge à regra, pessoas que estão num partido de forma seguidista, com medo da discordância, e que se esquecem que isso não é servir o Partido. Estar num partido perdendo a voz crítica não é servir verdadeiramente o Partido, tal como não podemos ajudar uma pessoa se continuamos a aplaudi-la e incentivá-la mesmo sabendo que a mesma se dirige para um buraco. Aqueles que com tudo concordam podem ser aqueles que, enquanto o barco se afunda, continuam a aplaudir a tripulação, ignorando a água que entra por todos os lados. O caminho de sucesso do PS fez-se e far-se-á através do diálogo, através da detecção de erros no presente para a construção eficaz do futuro. Por isso digo: basta de tiros nos pés. A impopularidade causada por medidas necessárias e corajosas é útil e nobre. A impopularidade merecida, inútil e criada pelos nossos próprios tiros nos pés, tem de ser combatida. A impopularidade originada por causas que seguimos é um acto de determinação. A impopularidade originada por polémicas que criamos é um acto de auto-flagelação. Basta de tiros nos pés.

 

Socialistas, estejamos à altura, a cada momento, da nossa História e do País que queremos servir. Em cada desafio, desde a mais pequena freguesia até ao maior dos sonhos europeus, vivamos segundo os ideais republicanos e democráticos que sempre nos fizeram liderar a evolução de Portugal. Sigamos as ideias de liberdade, solidariedade e pluralismo não só como metas abstractas mas também como imperativos éticos do quotidiano político. Vivamos, a cada instante, segundo a eternidade dos valores que prosseguimos.

 

Nota: um leitor do blogue levantou uma vez a questão de algumas das opiniões que expresso estarem em discordância com as linhas gerais do PS. Aproveito para esclarecer aqui que, segundo o pluralismo que caracteriza a JS, nomeadamente a nível deste blogue, as opiniões que podem ser lidas no mesmo são emitidas livremente e apenas vinculam os seus respectivos autores.



David Erlich às 20:29 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Quarta-feira, 28.04.10

A propósito das comemorações do 25 de Abril, é de notar que este é dos feriados que o povo recebe com mais carinho e orgulho.

 

Com o fim da ditadura a população pode finalmente exprimir-se e democratizar o pais. 36 anos depois, podemos afirmar que vivemos em democracia e o Estado assegura os direitos mínimos aos cidadãos.

 

Mas ser cidadão não é só ter direitos e exigir medidas. É também cumprir obrigações como pagar os impostos, e viver de forma cívica, educando o próximo.

 

Comportamentos como os que se verificaram este fim de semana, em que se vandalizaram monumentos em praças tão carismáticas como a dos Restauradores e da Figueira, são inadmissíveis para um povo que se afirma cívico e culto. As pessoas têm de perceber que os maiores prejudicados são os cidadãos e que o poder político em nada é atingido com este tipo de vandalismo. O mesmo acontece com quem foge aos impostos ou não cumpre as suas obrigações, os prejudicados são os próprios, que no fim se deparam com a diminuição do poder de compra e com um Estado que não tem rendimentos para fazer face às despesas.

 

Tem de haver mais confiança na política e no Estado, mas para isso não se pode encarar os mesmos como adversários. O Estado serve a população e não o contrário. Por isso é tão importante o incentivo à participação política dos jovens, que devem ter desde logo formação escolar no modo de funcionamento das instituições.

 

O poder local deve tornar-se um meio de aproximação da população à política, porque a política e o Estado, mais do que compostos por partidos, são compostos por pessoas. A sociedade tem de se rever na política e assumir compromissos, cumprindo a sua parte, esperando que os outros cumpram a deles, não vale a pena esperar que o exemplo venha de cima, porque o exemplo nunca será perfeito e nunca todos irão concordar que aquele exemplo é o melhor.

 

Além da importância da política interna, é também essencial tomar posição relativamente à política internacional, que cada vez mais influencia e dirige a política interna.

 

A democracia deve então ser aproveitada para exigir mais e melhor dos governos e dos políticos. Para isso a população, hoje muito mais culta e instruída que outrora, deve participar activamente e educar os outros no sentido dessa participação.

 

Inês Mendes



Inês Mendes às 23:16 | link do post | comentar



Jovem Socialista às 22:01 | link do post | comentar

E este, car@s Camaradas, é o nosso primeiro Jornal em Poadcast!

 





Jovem Socialista às 20:02 | link do post | comentar

Terça-feira, 27.04.10

O que é que a JCP terá a dizer sobre isto ?



David Erlich às 17:00 | link do post | comentar

Segunda-feira, 26.04.10

O Jovem Socialista conta com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, o convidado vem da sociedade civil, sendo independente, o que acentua a abertura deste espaço opinativo. É Paulo Correia, jovem jornalista de sucesso, tendo passado por diversas publicações, sendo agora editor da revista Playboy em Portugal. 

 

O poder dos media

 

Malcolm X, conhecido activista americano que lutou contra o racismo, disse uma vez que os "media são a entidade mais poderosa do planeta. Têm o poder para tornar os inocentes culpados e os culpados inocentes, e isso é poder. Porque eles controlam a mente das massas". Não podia estar mais correcto. Os media sempre foram rodeados de enorme poder e, usados de uma forma errónea e descuidada, podem conduzir a população a tomar decisões condizentes com uma realidade que não é verdadeira, pois a sua função é entreter e informar a população através de conteúdos seleccionados pelos próprios responsáveis editoriais. O perigo nasce com a forma de difundir esses mesmos conteúdos/informação e a tipologia com que isso é feito, pois a informação fornecida tanto pode ser útil e suscitar o debate e discussão em torno de um tema, como pode apenas alienar a população, determinando um modo de pensar em vez de originar um debate - isso observa-se muito no mundo da publicidade onde nos é dito que produtos devemos comprar.

 

Mas o que se vê em grande parte das televisões mundiais, e nas portuguesas em particular, é a tentativa de "venda" de um pensamento que perpetua o já de si natural descontentamento da população portuguesa. Existem meios de comunicação no nosso país que tentam aproveitar-se desse mal-estar para dar aos seus telespectadores, não aquilo que precisam, mas algo que perpetue o seu pensamento, quer este esteja certo ou errado. Podemos observar isso através dos diversos telejornais da nossa televisão, a forma como são interpretadas as notícias, a entoação dada a umas e retirada de outras, tudo isso influencia a forma do telespectador experienciar aquilo que vê. Actualmente, ao ver os telejornais, os indivíduos estão muitas vezes insensíveis ao que se passa, abdicam da sua liberdade e deixam-se ser controlados. Desde que existem os meios de comunicação tais como os conhecemos, os governos e as classes sociais mais poderosas sempre foram apontados como sendo os responsáveis pela manipulação dos mesmos, para levar o povo a fazer o que desejam que faça e manter a população na ordem. Claro que nem sempre é isso que acontece.

 

Temos vindo a observar, com o desenvolvimento desenfreado da internet e o "boom" dos meios de comunicação privados, controlados por grupos económicos poderosos com a sua própria agenda política, que os governos e demais entidades políticas deixaram de ser considerados como os principais actores por trás da agenda mediática imposta. Aliás, tem-se verificado o exacto oposto: nas últimas duas décadas tem-se assistido a uma cada vez maior interferência dos media em questões do foro económico e político - como podemos observar com a recente polémica entre José Sócrates e a TVI. Não quero com isto dizer que esta mudança é má, acaba por ser uma forma de produzir informação similar à que já existia, mas na qual o detentor do "poder" deixou de ser o estado e passaram a ser os grandes grupos económicos. Definir qual o melhor dos dois parece-me um exercício vão e que acabará por produzir sempre o mesmo resultado, que o melhor modelo para o povo ainda está para chegar.

 

O que se tem verificado, com o aparecimento de grandes conglomerados económicos, responsáveis também pelos media, é que a informação tende a ser definida pela audiência que irá gerar, pela garantia de lucro, o que provoca uma ruptura no papel que é atribuído aos media, de quarto poder, regulador de todos os outros poderes, e de garantia da democracia. Quando o objectivo máximo é a garantia de lucro, as funções sociais dos meios de comunicação social (funções educativas, culturais, informativas, etc...) são esquecidas e a diversidade de informação e a própria discussão necessária para um avanço social dos cidadãos é posto em causa.

 

O mesmo tem vindo a acontecer nos diversos meios de comunicação portugueses, de uma forma menos acentuada do que noutros países, mas acontece. Conglomerados financeiros, alguns que nem são portugueses, têm vindo a delinear a forma de pensar da nossa sociedade, "mostrando-nos" o que está bem, o que está mal, o que devemos comprar e usar. Medidas terão que ser tomadas de forma a garantir que os media voltarão a ocupar o lugar que sempre lhes foi destinado, um local de debate e de ajuda para o despertar de consciência social.

 

Paulo Correia



David Erlich às 14:49 | link do post | comentar

Domingo, 25.04.10

O nosso primeiro Poadcast!

 





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Quinta-feira, 22.04.10

 

Começo este post por um apontamento negativo: Manuela Ferreira Leite saiu, mas ninguém vai esquecer muitas das suas declarações irresponsáveis. Acho uma certa piada aos seus apoiantes, que dizem que "mulher séria, competente, certa para liderar o país". Ferreira Leite não foi só má ministra. Foi má líder do PSD. Não disse apenas que gostaria de "suspender a democracia 6 meses", disse também de forma muito grave há bem pouco tempo que a situação económica Portuguesa era semelhante à Grega. Se a primeira afirmação é grave, mas poucas consequências poderia trazer à equação nacional, a segunda é gravíssima pois tem consequências imediatas a líder do maior partido da oposição fazer uma declaração deste tipo, quando os mercados estão instáveis e tão atentos a tudo o que se diz, sendo naturalmente prejudicial para o país e para a sua recuperação económica.

 

Ferreira Leite já saiu. Não deixou no entanto de manchar mais uma vez a pintura. Felizmente Pedro Passos Coelho, apesar de discordar completamente do modelo por ele sugerido, mostrou-se mais comedido e disse que à semelhança de Cavaco Silva não considera que Portugal caminhe para a bancarrota ou esteja numa situação igual à da Grécia. Está certo, mas para além disso manteve uma boa postura de Estado, coisa que, por exemplo, não teve o presidente da República Checa que teve mais uma declaração escandalosa e demonstrativa que à União Europeia às vezes falta um pouco mais de união e...solidariedade. Não podemos arrancar com o motor europeu se continuarmos a ter chefes de estado que se dão ao luxo de lançar dúvidas e o pânico nos mercados de outros países.

 

Vamos então desmontar esta história: Será Portugal igual à Grécia?

 

Comecemos pelo risco na zona euro na sustentabilidade das finanças públicas. O Wall Street Journal, com base em dados da Comissão Europeia, atribui a Portugal um “risco médio”. O nosso país aparece de mãos dadas com países como a Alemanha, a França, a Itália...colocados no grupo de países de “risco elevado” aparece curiosamente, ou talvez não, a Grécia.

 

Mesmo assim, uma agência de rating bastante reconhecida, a Moody's promoveu a ideia: os portugueses afinal eram gregos. No dia a seguir a notícia nos media era: “Os mercados apostam no incumprimento grego". As consequências não foram assim tão gravosas como se poderia temer.

 

Em Portugal, começam os media a acordar para o assunto:

 

 

Manuela Ferreira Leite entrava em jogo. Manuela Ferreira Leite: “Estamos rigorosamente no mesmo caminho [da Grécia]”. Cavaco Silva:“Portugal y España no son Grecia; ha habido error y mala fe en algunas tribunas”. A resposta era a esperada do Presidente da República.

 

Mais notícias vinham a público sobre a situação Grega: sabia-se agora que a Grécia brincava e falseava os números das contas públicas. Situação semelhante em Portugal, talvez só com Manuela Ferreira Leite, que apesar de não ter bem falseado, andou a brincar com o défice público apresentando um resultado desastroso. Seriam memórias antigas, perguntavam-se alguns. Outras diferenças entre as duas situações:  A Grécia não fez as necessárias reformas da administração pública e da segurança social. Uma despesa pública fora de controlo, uma vez que, nos últimos 6 anos a despesa da administração central crescera 87 por cento, enquanto a receita fiscal apenas cresceu 31 por cento; Pouco fez para melhorar a eficácia fiscal e combater a fraude e a fuga aos impostos, estratégia agora tida como muito importante no PEC grego para aumentar as receitas.

 

Os dias iam passando e os mercados insistiam em desmentir estes arautos da desgraça: Grécia paga mais 60% que Portugal para vender dívida. Outros países davam sinais semelhantes: Portugal é injustamente inscrito na lista injuriosa dos PIGS (porcos) (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) pelos operadores do mercado. Philippe Marini, relator-geral da Comissão de Finanças do Senado francês.

 

Em Portugal, tal como na Grécia, criava-se o PEC, Plano de Estabilidade e Crescimento. A notícia era: PEC: OCDE diz que Portugal está na «direcção certa». A OCDE felicitava a estratégia de consolidação orçamental de Portugal, que considera estar na direcção para assegurar a confiança dos mercados e suportar o crescimento da economia.

 

As notícias não paravam de chegar para desespero da linha política do PSD:  As exportações aumentaram 7,6 por cento entre Dezembro de 2009 e Fevereiro de 2010 face ao trimestre homólogo.

 

As notícias eram como se pode ver mais uma vez animadoras: A produção industrial na Zona Euro registou um incremento de 0,9%, em Fevereiro, com Portugal a inverter o recuo de Janeiro para crescer 1,6% no mês analisado, indicam estimativas do Eurostat divulgadas esta quarta-feira.

 

Apesar de tudo isto continuavam os arautos da desgraça: a compararem o défice dos dois países. A dizerem que o FMI estava a apertar Portugal. A Alemanha estava farta de pagar e não ia tolerar muito mais.

 

Comecemos pelo défice.

 

 

 

Curioso. Portugal aparecia à frente com um défice bem menor que países como Japão, França, Espanha, EUA, Irlanda e imaginem só...Grécia.

 

Passemos então ao FMI. O Fundo Monetário Internacional (FMI) desvalorizou hoje as preocupações dos economistas internacionais de que os problemas da Grécia possam replicar-se em outros países da zona euro, como Portugal e Espanha:

"Estes países [Portugal e Espanha] têm instituições orçamentais sólidas e não têm as incertezas que a Grécia tem."


O argumentário continuava a complicar-se. Até que o Ministro das Finanças Alemão dá o seu contributo: "A situação da Grécia não pode ser comparada de todo com nenhum outro país". Segundo o Ministro, ao compararem a Grécia a outros países europeus, o que “esses economistas ainda não perceberam [é] que estão a alimentar os negócios de especuladores com intenções duvidosas”.

 

A opinião parece geral.

 

    “[Vive-se] uma batalha pela sobrevivência da união monetária europeia (...). Há interesses e forças, quer especulativas, quer políticas, e grupos de interesse do mundo anglo-saxónico interessados em testar até ao limite a resistência do euro (...). É certo que algumas economias mais periféricas, como a portuguesa, têm debilidades, mas isto é um ataque ao euro através da concentração nos elos mais fracos da cadeia”.

João Costa Pinto, presidente da Caixa de Crédito Agrícola e ex-vice-governador do Banco de Portugal, "Jornal de Negócios".

 

Voltamos ao inicio. Agências de rating. Especulação. Subprime. Inicio da crise. E curiosamente voltamos também à incoerência do PSD: O subprime é “uma das melhores inovações dos últimos anos”. António Borges, ex-vice-presidente da Goldman Sachs e ex-vice-presidente da Dr.ª Manuela

 

Goldman Sachs processado por fraude no subprime.

 

Felizmente para uns, infelizmente ao que parece para outros, as notícias parecem ser de esperança. E os leitores, continuam a achar que a situação de Portugal é igual à da Grécia? E o PSD, será uma oposição séria?

 

Por fim, continuam a achar Manuela Ferreira Leite uma senhora séria? Acredito. Para os outros que têm dúvidas não se esqueçam que a culpa não morrer solteira e há outros senhores que partilham a irresponsabilidade da senhora. Como, por exemplo, Paulo Rangel, fazendo campanha contra o país: a situação de Portugal é agora «semelhante à da Grécia» disse o "nunca abandonarei o parlamento europeu", eurodeputado e derrotado nas eleições internas do PSD. Com Manuela Ferreira Leite já pouco ou nada nos temos que preocupar. Com Paulo Rangel e toda uma linhagem política, a história já é diferente.



Luís Pereira às 02:40 | link do post | comentar

Domingo, 18.04.10

O Jovem Socialista conta com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, o convidado é Pedro Ruas, Presidente da Federação de Setúbal da Juventude Socialista.

 

Os perigos da urbanização do mundo e esvaziamento do espaço rural 

 

As primeiras cidades, surgidas na antiga Mesopotâmia há apenas cerca de 5 a 7 mil anos, introduziram uma nova ordem espacial para a humanidade, mas durante séculos continuaram em pouco número em todo o mundo e durante séculos foi à ruralidade que coube a liderança populacional.

 

Mas recuemos até ao aparecimento da agricultura, uma das genialidades da raça sapiens sapiens, que terá permitido fixar as primeiras aldeias e assim transformar em sedentária a humanidade, criando comunidades de vizinhos. O desenvolvimento da agricultura permitiu também um crescimento considerável na população, criou a segurança grupal em abrigos e permitiu libertar a energia que despendiam em longas caminhadas para o investimento na tecnologia, consolidando as aldeias. Progressivamente as aldeias foram crescendo, e com o desenvolvimento da tecnologia, foram surgindo as primeiras profissões especializadas, os primeiros serviços comunitários, as primeiras organizações de pessoas e as lideranças religiosas, políticas, culturais, sociais e económicas.

 

Na Idade Média, a vivência nas cidades era símbolo de liberdade, em contraposição aos que viviam nos campos e dependiam dos senhores feudais. E por esta altura, algumas aldeias crescem e absorvem as populações rurais vizinhas, embora a grande maioria continuasse a viver nos campos. 

 

Foi só mais tarde, com o advento da Revolução Industrial, que as cidades conheceram um novo capítulo na sua história. Estimulada pelas inovações tecnológicas, pelas descobertas na saúde, e pelo aumento da riqueza, a urbanização começou na Europa e universalizou-se com a chegada das fábricas a todo o planeta. A população urbana não parou de crescer desde então e a concentração nas cidades foi aumentando de acordo com as crises económicas e com o crescimento populacional.

 

Nos dias de hoje assistimos a uma mudança clara no paradigma da ocupação e antropologia humana do espaço: pela primeira vez, em 2008, a população urbana ultrapassa a população rural e a concentração nas cidades cria uma nova forma de estar e olhar o mundo, penalizando a agricultura e produção de bens alimentares.

   

De acordo com a ONU, em 2008 cerca de 3,3 mil milhões de pessoas residiam em cidades, das quais um sexto em bairros de lata e a maioria em cidades costeiras, ameaçadas pelo aquecimento global.

   

Aquilo que acontece hoje no interior de Portugal, acontece em paralelo um pouco por todo o mundo rural do Ocidente, mas acontece também em países cujos índices de desenvolvimento nos indicariam que não. Quase todos os países africanos e asiáticos já apontam uma população urbana de monta considerável. As latitudes apresentarão diferentes contornos nas razões, mas a verdade é que é um facto da ocupação humana e a tendência será o agudizar desse diferencial, agora já não pelo êxodo rural, mas sim pelo crescimento natural das cidades.

   

O que assistimos no interior do país é justamente o que se assiste em todo o mundo: o esvaziamento dos campos, das aldeias e vilas e a concentração populacional nas cidades.

 

Contudo, a urbanidade nos dias de hoje não deixa de privilegiar a vivência e a qualidade de vida oferecida pelos campos e só pode sobreviver porquanto for existindo a possibilidade de usufruir dessa qualidade de vida e do que a ruralidade pode continuar a oferecer.

   

Para os que acreditam e defendem o esvaziamento do interior, usam como argumento que a concentração populacional nas urbes levará a uma redução substancial na rede de serviços públicos e a uma consequente qualificação, uma vez que a população está concentrada, levará também a um aumento no tipo de serviços ao dispor em cada núcleo urbano, uma vez que mais pessoas significarão mais e melhores respostas, libertando os campos para a preservação ambiental, tão cara aos citadinos. O que se esquecem é que sem população rural, não há agricultura, não há produção agrícola, não há ocupação e tratamento do solo e há o agravamento da crise económica, a perda de identidade do povo português e o crescimento desenfreado de selvas de pedra, que mais não passam de aglomerados de betão. Em Portugal, 178 municípios, situam-se no interior, o que significaria que uma parte significativa do país ficará, a médio prazo, desprovida de qualquer cuidado.

 

E é por isso que importa travar este movimento de desertificação, é preciso parar de gerir o país só com números e estatísticas, é preciso repensar o modelo de desenvolvimento para o país, fundamentando a sua intervenção no equilíbrio e na coesão social e territorial.

 

Os dirigentes e líderes políticos devem ter a capacidade e o discernimento para separar o que é verdadeiramente essencial do que é acessório, concentrando esforços no que é estruturante para as comunidades rurais. Ora bem, terá sido justamente aí que a ruralidade falhou, porque não teve a coerência para definir, planear e estruturar a longo prazo, auto-castrando qualquer hipótese de sobrevivência. As poucas aldeias que foram resistindo apresentam-se hoje envelhecidas, sem projectos de futuro, e sem qualquer visão de progresso. As nossas aldeias, particularmente as do Alentejo, não se modernizaram, como as da Alemanha ou da Holanda, não criaram emprego, mas ainda mais penalizador: não definiram um caminho de futuro, procuraram apenas sobreviver.

 

Defendo e acredito que só com políticas de médio e longo prazo será possível ao interior recuperar o seu ritmo de progresso, que só com intervenções cirúrgicas poderá ser possível recuperar a robustez da ruralidade, tão importante ao país.

 

E a inflexão desta tendência só é possível se o interior for tomado em conta na decisão política, se os líderes políticos tiverem a consciência de que existe um espaço rural no país, para além das cidades e do litoral, de que existe, e deve existir, uma ruralidade que preserve os campos e garanta a produção de alimentos.

 

O investimento nas acessibilidades, que aliás tem sido feito ao longo dos últimos anos pelo Governo do PS, é um sinal claro da preocupação com o interior, os benefícios fiscais já concedidos às empresas que se fixam no interior também é um sinal claro da vontade política em interromper este ciclo de concentração urbana, mas é preciso mais para equilibrar os ritmos de desenvolvimento. A decisão deve ser mais corajosa que o peso da demografia, deve ser consistente com o princípio de que devemos ter um país coeso, com equilíbrio territorial, e que garanta aos seus cidadãos os mesmos níveis na qualidade de vida e a liberdade de poder escolher entre viver nos campos ou viver nas cidades.

 

Pedro Ruas

 



David Erlich às 23:29 | link do post | comentar

Terça-feira, 13.04.10

É legítimo a Igreja Católica afirmar que não é o celibato que causa a pedofilia no seu seio, e é legítimo haver quem ache o contrário.

 

Se esta especialista separa o celibato da pedofilia, já este afirma que as pessoas com tendências pedófilas tendem a procurar actividades em que há proximidade segura e livre, no que à vigilância de outros diz respeito, a crianças, sendo o sacerdócio uma dessas actividades.

 

O que me parece absolutamente repugnante é, contra a opinião de toda a comunidade científica e referindo-se à alegadas opiniões de especialistas não especificados, a Igreja Católica ligar, como fez através deste responsável de topo, a pedofilia à homossexualidade. É um incitamento à homofobia violenta. É vergonhoso.

 

É repugnante.

 

 



David Erlich às 13:19 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 08.04.10

1. Uma decisão que contraria certas mentalidades conservadoras, e que marca um dia histórico para o País.

 

2. Curioso: será que alguém, neste caso, falou de pressão sobre os media?

 

3. Um projecto progressista que deve ser saudado. Fico feliz pelo PS viabilizar a iniciativa.

 

4. Uma iniciativa que termina com a homofobia reinante num instituto do Estado, viabilizada, e bem, pelo PS.



David Erlich às 21:01 | link do post | comentar

Terça-feira, 30.03.10

O Jovem Socialista conta com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, o convidado é João Figueirinhas Costa, membro do secretariado concelhio da Juventude Socialista do Porto.

 

Energia Transparente 

 

O Secretário-geral da JS, Duarte Cordeiro, juntamente com outros deputados socialistas, vai apresentar uma proposta para criar uma lei que obrigue os organismos do Estado a publicar as facturas energéticas e a definir medidas de redução do consumo.

 

Esta iniciativa, que pretende fazer do Estado um exemplo a seguir, tornando-o energeticamente sustentável, aposta não só na implementação de energias renováveis e na promoção da eficiência energética, mas também na própria redução do consumo.

 

Fará parte da proposta uma articulação especial com os municípios, de forma a criar-se um esquema de discriminação positiva para aqueles que apresentem propostas de redução de consumo viáveis. Além de identificar os organismos públicos que mais consomem, esta proposta também tem em conta a necessidade de prevenir e minimizar os gastos de energia desnecessários, fomentando a diminuição das emissões de dióxido de carbono e a aplicação de planos de redução de consumo.

 

Depois da publicação desta notícia no «Público Online», vários leitores escreveram comentários. No meio de tantas observações, muitas das quais inúteis ou despropositadas, um leitor sugere que as contas da Administração Pública sejam também apresentadas ao mais ínfimo pormenor. Este leitor vai até mais longe e especifica rubricas que devem ser apresentadas: «carros, combustíveis, obras em gabinetes e edifícios públicos e os beneficiários directos». Ainda que esta sugestão possa parecer um pouco exagerada, creio que faz todo o sentido. Existe um conjunto de informações sobre a despesa do Estado que deveria ser facilmente acessível por parte dos cidadãos. Ao tornar as contas mais transparentes, impõe-se uma maior pressão às entidades públicas para que se controlem determinado tipo de gastos, evitando-se negócios menos claros e manobras financeiras.

 

Não obstante ser fundamental incrementar a transparência das contas do Estado, a produção e divulgação de alguns relatórios detalhados com esse fim implica tempo. Mas, na minha opinião, é algo a ponderar. Só valoriza o Governo enquanto instituição. E, acima de tudo, dá confiança aos portugueses.

 

João Figueirinhas Costa



David Erlich às 16:39 | link do post | comentar

Segunda-feira, 22.03.10

Após um ano de debate, e de um emotivo último apelo de Obama (parte 1, parte 2, parte 3), a reforma do sistema de saúde dos EUA foi aprovada.

 

É um momento histórico. Hoje fez-se história.

 

 



David Erlich às 03:03 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 19.03.10

A partir de hoje, o Jovem Socialista contará com um post de um/a convidado/a por semana . Esta é uma forma tornar este blogue um espaço ainda mais aberto e pluralista. Esta semana, a convidada é Maria Begonha, militante da JS e do PS, membro da Assembleia de Freguesia da Lapa e do Secretariado da JS / Lisboa e da JS / FAUL.

 

PSD: sem rumo mas com rolha 

 
Desde que vivemos em Democracia que o sistema partidário português se apresenta como bipartidário. Bipartidário, porque dois principais partidos têm merecido o apoio maioritário dos portugueses, para que actuem como seus representantes. Assim tem sido a alternância do poder em Portugal, entre socialistas e sociais-democratas, que ao contrário do que oposição à Esquerda e muitos comentadores e especialistas afirmam, ainda apresenta significativas diferenças ideológicas e políticas, mesmo num quadro de convergência ideológica de Centro. Reflictamos então, sobre a importância da condição actual do PSD como maior partido da oposição.
 
Não fosse os malefícios que uma oposição desacreditada oferece ao pluralismo e à Democracia portuguesa, teríamos de facto, como socialistas, razões para celebrar. O PS atravessa também momentos difíceis, mas ao longo da sua história e em particular na sua história recente, não perdeu um marco da sua identidade, tão basilar como o pluralismo e democraticidade interna. Afirmava Vitalino Canas, que no PS, nunca seria proposta estatutariamente a “Lei da Rolha”. Acrescente-se que existindo um dirigente socialista com o protagonismo político equivalente a Santana Lopes capaz de propor tamanho erro de julgamento, os militantes base do PS acorreriam a rejeitar tal proposta.
 
Também da Juventude Social-Democrata não ouvimos uma única manifestação de desacordo, ou o sentimento mais apropriado perante tal proposta, de indignação para com o ataque contra os princípios democráticos dos quais o PSD advoga ser partidário.
 
A Lei da Rolha, é sem dúvida, um dos mais importantes “acontecimentos” recentes para tecer algumas considerações e identificar manifestas diferenças dentro do bipartidarismo português. A julgar pela proposta estatutária, o PSD não tem condições de se apresentar como um partido unido a não ser acabando com a manifestação do pluralismo intrapartidário. Quando um partido tem que recorrer a medidas de sanção para com os seus militantes, para participar na livre competição democrática, assistimos ao seu reconhecimento de que a sanção é a única via para a união.
 
Maria Begonha


David Erlich às 18:52 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 14.03.10

Esta notícia mais parece vinda do PCP do que do PSD. Lamentável. Viver-se-á, a partir de agora, um clima de censura no PSD.

 

Isso não é bom para o PSD, e não é bom para ninguém: a democracia quer-se dinâmica.

 

É sinónimo do desnorte do PSD que uma proposta anti-democrática, proposta por um ex-líder do PSD, seja aprovada, paradoxalmente quando os quatro candidatos actuais à liderança são contra essa norma.

 

Especialmente, combater esta norma é importante para a JSD. As juventudes partidárias devem ter uma certa autonomia em relação aos respectivos partidos. O que acontecerá agora, quando um militante da JSD, simultaneamente do PSD, discorde das orientações deste último? Será também alvo desta nova norma estatutária anti-democrática?

 

Tenho orgulho em pertencer a um Partido e a uma Jota que fazem do pluralismo um dos seus pilares. Já estive do lado das opiniões maioritárias e também das minoritárias. Nunca senti pressões e nunca uma norma estatutária me retirou liberdade de expressão. A partir de agora, nenhum militante do PSD poderá dizer o mesmo: a limitação da sua liberdade de expressão passou a ser norma estatutária.



David Erlich às 21:50 | link do post | comentar

Sábado, 13.03.10

 

Guillermo Fariñas, mais uma vítima do regime totalitário cubano, que alguns aplaudem de pé.

 



David Erlich às 03:53 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 12.03.10

Passos-Coelho deu uma ideia com a qual concordo: que os que recebem subsídios possam dar um contributo à sociedade, através de trabalho desempenhado nas entidades estatais e da sociedade civil.

 

Aguiar-Branco responde que isso é assistencialismo.

 

Ou seja: Aguiar-Branco é, por preconceito e natureza, contra as prestações sociais, independentemente de elas exigirem algo do indivíduo ou não. Ele é simplesmente contra. Qualquer ajuda que o Estado Social dê a um indivíduo é negativa, condenável, a suprimir.

 

É este o conceito de solidariedade reinante no PSD ?



David Erlich às 22:52 | link do post | comentar

No debate entre Aguiar-Branco e Passos Coelho, a pérola foi quando o primeiro elogiou o trabalho desenvolvido pelo Governo de Santana Lopes.

 

(Não é uma piada, ele realmente teceu esse elogio).

 

 



David Erlich às 22:35 | link do post | comentar

2010 não é ano de Europeias. Mas é ano de Tratado de Lisboa (em vigor desde 1 de Dezembro de 2009), uma reforma institucional da União Europeia de que os jovens portugueses não devem nem podem estar alheados. Discutir a Europa está, infelizmente, longe de estar na agenda da política nacional. Como se a política europeia fosse desinteressante por um lado ou uma invitabilidade por outro.


Ora nem uma coisa nem outra corresponde à verdade: muitas das nossas opções políticas nacionais são condicionadas pela UE (veja-se o PEC mas não se esqueça também o QREN ou o PRODER), o que reveste as decisões tomadas na União Europeia de uma importância especial – é aí que cabe agora começar a definir o modelo sócio-económico que queremos para toda a União. E esse modelo sócio-económico não é estanque, imutável, antes se deve adaptar às necessidades da Europa, que ultrapassa hoje uma grave crise económica e financeira, e à qual deve responder com políticas activas e reformistas de regulação financeira. Essa adaptação deve ser protagonizada não pelos partidos progressistas de cada Estado-Membro mas pelos Partidos progressistas no Parlamento Europeu. Isto é absolutamente essencial. E mais essencial se torna quando o Parlamento Europeu vê reforçados os seus poderes com o Tratado de Lisboa.


Numa altura em que o primado da Economia parece um dogma inabalável, cabe aos jovens progressistas de todos os Estados-Membros defender o Estado-social Europeu, tão expressivamente apelidado de “Consenso de Estocolmo”. Pugnar por um desenvolvimento ambiental e socialmente sustentado, apoiado num forte investimento em inovação científica e tecnológica (área onde a UE pode e deve melhorar bastante a integração europeia) ao invés de uma fúria de crescimento rápido, visando o lucro fácil e imediato é algo que nos deve preocupar e mobilizar tanto hoje como daqui a 4 anos, quando voltarmos a estar em campanha eleitoral. 2010 não é ano de Europeias. Mas para chegarmos a 2014 com credibilidade precisamos de agir como se fosse.



Pedro Silveira às 22:13 | link do post | comentar

Quarta-feira, 10.03.10

A 3ª edição do salão de oferta educativa, formação e emprego começa hoje, na FIL.

 

É uma iniciativa que se dirige essencialmente ao público jovem e conta com a apresentação de mais de 5000 ofertas de emprego, a nível nacional e internacional.

 

Nesta feira os visitantes têm acesso a propostas de formação, estágios, voluntariado, propostas de intercâmbio e encontram-se representadas grande parte das instituições educativas desde o 9º ano ao ensino pós-graduado.

 

Além de servir de exposição das faculdades e outros locais de ensino, a futurália é uma óptima oportunidade para todos os jovens que procuram trabalho, ou estágios.

 

Apesar de recente, a feira tem vindo a ser melhorada todos os anos e conta com uma participação activa do público-alvo. Este ano esperam-se cerca de 40 mil visitantes.


Também o Ministério da Educação está representado em seis espaços temáticos, que incluem recursos educativos digitais e informação sobre os seus serviços.

Serão realizados workshops com especialistas, que ajudam os visitantes a escolher as melhores soluções para os seus futuros, o que muitas vezes complementa a orientação dada aos alunos do 9.º ano e secundário.

Estas iniciativas são extremamente úteis para que todos possamos estar mais informados e são também uma óptima oportunidade de divulgação de cursos e oportunidades de emprego.

 

Para todos os estudantes que se confrontam com novas escolhas, ou com a entrada no mercado de trabalho: se a informação e as oportunidades não vêm até ti, procura-as.

 

 

 



Inês Mendes às 20:42 | link do post | comentar

Esta notícia de hoje merece referência.

 

Sobre ela, quatro reflexões:

 

- O atrito entre poder político e poder dos media é natural numa democracia;

- Ainda assim, são condenáveis atitudes de pressão, independentemente de que partido venham;

- A existência de pressões não é comparável a tempos em que a liberdade de expressão era inexistente;

- O PSD já protagonizou episódios de pressões a jornalistas ou de influência ilegítima sobre os media. Neste âmbito, podemos não só ver a notícia acima referida, mas também esta, e esta, e ainda esta.

 

 

 



David Erlich às 10:55 | link do post | comentar

Terça-feira, 09.03.10

Julgo pertinente referir duas.

 

Esta notícia faz-me pensar que, definitivamente, o micro-crédito facilitado, em conjunto com outras medidas de apoio ao empreendedorismo, têm de fazer parte de uma política de apoio ao desempregado. Isto é, há centenas de pessoas desempregadas mas que têm boas ideias para micro-empresas e apenas precisam de uma pequena ajuda. Esta é uma oportunidade na qual entidades estatais têm investido, mas nunca será demais. É que, como podemos ver na notícia, há pessoas com potencial suficiente para passarem directamente de desempregadas a patroas delas mesmas. O Estado Social, aqui, tem mesmo de dar uma ajuda.
A sondagem aqui referida, que situa o nível de opiniões desfavoráveis em relação aos republicanos seis pontos percentuais acima do nível de opiniões desfavoráveis em relação aos democratas, é prova de que os comentadores de direita que afirmam que Obama está terminado, que o povo já não o quer e que o sonho terminou, têm uma visão enviesada e incoerente sobre a matéria, já que não incluem, nessa equação, a opinião desfavorável que os americanos têm sobre a única alternativa existente. Ou seja, se bem que o ímpeto inicial viu o seu efeito moderado, a verdade é que o povo dos EUA continua a preferir a esquerda democrata no poder – e isso parece ser ignorado por muitos comentadores.


David Erlich às 01:33 | link do post | comentar

Sexta-feira, 05.03.10

"Poder judicial está empenhado em derrubar o primeiro-ministro", diz Marinho Pinto


sinto-me

João Correia às 18:47 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 04.03.10

Foto: Público.pt

 

Manuela Moura Guedes mostrou-nos, tal como já havia sido feito por outros jornalistas, que nos dias de hoje a vitimização está do seu lado e não, ao contrário do que aduzem, do lado do Governo. Têm um poder infinito, julgam-se tribunais instituidos constitucionalmente e agora, pasme-se, agora andam à caça às bruxas...

 


sinto-me

João Correia às 09:01 | link do post | comentar

Segunda-feira, 01.03.10

Pode consultar, clicando aqui, todas as edições impressas do Jovem Socialista.



Inês Mendes às 16:40 | link do post | comentar

Pode acompanhar todas as notícias da JS no respectivo site institucional ou na versão impressa do Jovem Socialista.

 


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Inês Mendes às 16:30 | link do post | comentar

Quarta-feira, 24.02.10

Recentemente, tive de aprofundar e sistematizar os meus conhecimentos na área da Administração e Políticas Públicas, de uma forma introdutória, no estudo para uma unidade curricular do meu curso que tem, precisamente esse nome. Assim, aproveito para enunciar algumas ideias que defendo para a reforma da Administração Pública. Destaco que utilizo aqui um conceito abrangente de Administração Pública: desenho, implementação e avaliação de instituições e políticas públicas (todas elas, incluindo saúde, educação, cultura, assistência social, etc.).

- Com excepção para os cargos em que se exige uma directa confiança política, deve diminuir o número de dirigentes administrativo-económicos de nomeação política; a esfera da Administração tem de ser mais independente em relação à esfera da Política; caso contrário, determinado agente económico pode estar a prosseguir os interesses do seu partido e não os do Estado.


- Abandono do ideal de gratuitidade per si. Julgo que promover a igualdade de oportunidades envolve que o Estado, através da administração do serviço público, promova a acessibilidade. Ora, a acessibilidade não é necessariamente coincidente com a gratuitidade. Para cidadãos desfavorecidos economicamente, não há acessibilidade sem gratuitidade. Para outros, é possível haver acessibilidade sem gratuitidade. O Estado não deve dar tudo a todos; deve promover a acessibilidade para todos, o que envolve a gratuitidade para alguns.
 - Não coincidência, por vezes, entre sector público e serviço público; isto é, mediante contratualização com o Estado, entidades privadas podem e devem fazer serviço público, desde que tal não prejudique a acessibilidade a esse mesmo serviço. Da mesma forma, o Estado deve retirar-se, embora mantendo uma forte regulação, de áreas em que a sua não-presença não prejudique a acessibilidade ao bem ou serviço em questão (por exemplo, numa primeira época em que havia TV do Estado ou simplesmente não havia TV, fazia questão haver uma estação pública. Actualmente não faz. Os conteúdos culturais transmitidos pela TV pública que não são transmitidos pelas restantes, poderiam continuar a existir, mas através de contratualização entre Estado e televisões privadas. Dando o exemplo contrário, na Saúde e na Educação, embora podendo haver contratualizações pontuais entre Estado e privados, o Estado deverá ter sempre uma presença fortíssima, pois é o garante de que saúde e educação são acessíveis, com qualidade, mesmo para aqueles desfavorecidos economicamente).
- A contratualização, entre Estado e privados, para que estes prestem determinado serviço público, deve ser exigente, em relação aos segundos, no que diz respeito ao cumprimento dos objectivos estipulados, nomeadamente a nível da qualidade e acessibilidade do serviço prestado. Essa contratualização deve, também, ser monitorizada, de forma a que o cumprimento da exigência acima referida seja avaliada. O Estado deve poder terminar a contratualização assim que a entidade privada não satisfaça o estipulado.
- Transparência do serviço público, isto é, informação acessível a todos os utentes do mesmo, respeitante à administração da entidade prestadora de serviços (orçamentos, gastos, receitas, vencimentos, etc.). Esta transparência funciona como prevenção relativamente à corrupção, como incentivo à exigência por parte dos utilizadores e, logo, como incentivo à melhoria da qualidade do serviço público.
- Medição permanente, pública e divulgada, do desempenho dos trabalhadores e instituições públicas e da qualidade global do serviço público

 - Aumento da progressividade fiscal do IRS, o que não prejudica a competitividade da economia e, segundo um critério de solidariedade, exige mais daqueles que mais rendimento têm.

 

- A privatização não é sinónimo de surgimento de maior concorrência e, logo, de queda de preços. As privatizações têm de ser feitas de forma a que não se passe de um monopólio público para um monopólio privado, o que anula os possíveis efeitos vantajosos da privatização: maior concorrência e queda de preços.

- A privatização tem de ser acompanhada de uma forte regulação, de forma a evitar práticas económicas tóxicas e garantir a qualidade e acessibilidade de bens, quando o bem-estar da população deles dependa.


- Contratação dos dirigentes de topo da administração pública livre quanto ao tecto salarial (de forma a se poder atrair os mais competentes gestores), com contratos de desempenho de curta duração.
- Utilização da contratualização mesmo dentro do Estado, isto é, fazer depender o financiamento, a determinado conjunto de instituições públicas, do seu desempenho (um exemplo é Contrato de Confiança no ensino superior, que vem financiar as faculdades mas exigir contrapartidas em termos de formação de mais estudantes).
- Simplificação tecnológica dos processos comunicativos cidadão - serviço público.
- Alargamento das prestações sociais a todas as situações de desfavorecimento económico, acompanhadas de exigências em termos de participação activa dos beneficiários na sociedade.


David Erlich às 01:27 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 20.02.10

Quando pensamos no porquê de se proibir qualquer tipo de escuta à figura do primeiro ministro não é dificil perceber o fundamento. Desde logo por ser das figuras mais altas da República, da Democracia. Depois, e face ao que assistimos todos os dias, por falta de moral e ética de quem pode usar meios judiciais para proveitos políticos.

 

Estará a democracia em perigo? O Estado de Direito? Não me parece. Pelo menos, não da forma que alguns querem passar. Estará sim, na medida em que temos políticos que utilizam escutas, fugas ao segredo de justiça, meios criminosos, para fazer política, mesmo num palco como o Parlamento Europeu.

 

Se um dia gostava de voltar a ver Paulo Rangel no Parlamento Europeu de novo?

 

Sim. Para pedir desculpa. Ao povo português. À instituição europeia.

 

Se isto ( DESPACHO DE PINTO MONTEIRO QUE ILIBA JOSÉ SÓCRATES ) alguma vez vai fazer capa do SOL?

 

Não acredito. E não é por ser racista, salazarento ou colonialista.

 

Simplesmente, cada vez mais acredito que muita gente se diverte a enganar o povo português, a utilizarem qualquer que seja o meio para passar por cima de um Governo democraticamente eleito, em que os portugueses confiaram o voto.

 

Falo de Rangel, poderia falar de Aguiar Branco, o seu enorme amigo. De Manuela Ferreira Leite que faz insinuações gravíssimas sobre o Primeiro Ministro. Enfim, é só escolher...

 

Azar dos azares. Esses continuam a perder eleições...



Luís Pereira às 21:43 | link do post | comentar

Paulo Rangel vai voltar ao Parlamento Europeu. Dizem as más línguas que é para ler este texto:

 

"De que grau na escala de Richter seria o terramoto na capital se Sócrates ameaçasse expropriar um jornal? Foi o que Jardim fez relativamente ao Diário, aliás com todo o País a ouvir.
José António Saraiva do 'Sol' e a 'Sábado' atribuiram aos desígnios de Sócrates a interferência governamental nos jornais, através da redução de publicidade institucional nos órgãos incómodos e do aumento nos mais 'amigos'. A ERC, e muito bem, logo chamou os autores da denúncia para saber o que se estava a congeminar. Então... e se, mais do que a tentativa de usar a publicidade como castigo ou prémio, o governo de Sócrates tivesse mesmo cortado há mais de dez anos os anúncios oficiais a um órgão para os canalizar todos ao jornal da sua cor, tal como faz na Madeira o dr. Jardim? Que, além de negar publicidade ao Diário para a entregar ao JM, e ainda intimidar nos discursos públicos os empresários que anunciam no Diário, mandou que todos os órgãos públicos cortassem a assinatura do DN, incluindo escolas".
"Sócrates foi criticado por atacar Manuela Moura Guedes (...) E se Sócrates fizesse como o sr. Jardim, que calunia, insulta e enxovalha diariamente os jornalistas com epítetos de corruptos, traidores, comunas, súcias, fascistas, tolos, incapazes, incultos, vingativos, desonestos, gente reles, mentes recalcadas, bastardos, exóticos, incumpridores de estatutos editoriais, ralé que não toma banho? E as jornalistas de vendidas, descompensadas, sovaqueiras...? Que seria de um Sócrates cavalgando tal paradigma?"
"Pois. Cá para a parvónia é que não há Constituição a cumprir. O Presidente da República tem a queixa do Diário nas mãos e, quando veio cá, elogiou a "obra" de Jardim. (...) ERC, Jaime Gama, Almeida Santos, Manuela Ferreira Leite, Paulo Rangel, PS e oposição nacional, todos têm conhecimento do estado da comunicação social insular. Mas vivem entretidos com o 'polvinho' que brinca no Mar da Palha".

Solidarizemo-nos com as vítimas continentais das escandalosas suspeições"."Aquilo vai tão mal por lá em matéria de atentados ao jornalismo que o próprio Jardim desabafou à porta do Conselho Nacional PSD, escandalizado com a falta de respeito pela liberdade de imprensa no Continente: "Num País com a tradição democrática como a Inglaterra, Sócrates já não era primeiro-ministro." Ninguém nos contou esta declaração. Ouvimo-la na rádio".

 

Esta é a coerência moral do PSD.

 

A mesma que diz sobre Marques Mendes antigo líder do PSD e bastante amigo de Manuela Ferreira Leite:

 

(…) foi com um sorriso de alguma repulsa que vi há dias um companheiro de partido, que tinha uma particular propensão para conduzir o Telejornal das 20 horas directamente de S. Bento, sair a terreiro como o grande libertador da comunicação social oprimida.

      Luís Filipe Menezes, no DN

       



Luís Pereira às 21:37 | link do post | comentar

Sexta-feira, 19.02.10

A frase realmente surpreendente é de Paulo Rangel, candidato a Presidente do PSD.

 

Curiosamente não se lembrava de ter sido militante do CDS/PP.

Curiosamente não se lembrava de ter mudado de opinião em relação ao imposto europeu durante a campanha para as Europeias.

Curiosamente não se lembrava de ter dito que do Parlamento Europeu só saia em caso de morte.

Curiosamente não se lembrava da conversa que teve com Aguiar Branco.

Curiosamente não se lembrava de ter dito que não se candidataria à presidência do PSD.

 

Mas são coisas da vida. Lembra-se, por outro lado, de ter vivido com intensidade o 25 de Abril aos 6 anos.

 

Foi uma juventude fértil, intensa. Depois gastou a memória toda e foi por aí, no zigue-zague da opinião e das posições políticas, conforme os ventos do populismo.

 

Sobre Credibilidade? Ética? Seriedade? Quid iuris...?



Luís Pereira às 23:28 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 16.02.10

uma jovem heroína da liberdade de expressão.

 

 



David Erlich às 23:33 | link do post | comentar

Segunda-feira, 08.02.10

Segundo o Parlamento Europeu,  140 000 mulheres estão em risco, anualmente, de sofrer mutilação genital, na Europa. Esta é uma tragédia que também acontece aqui, perto de nós, e não só lá em terras longínquas e sub-desenvolvidas. Urge estudar o tema e combatê-lo, como bem nos elucida este artigo.

 

(publicado também no blogue blogicadabatata.blogs.sapo.pt)



David Erlich às 23:42 | link do post | comentar

Quinta-feira, 04.02.10

A propósito do "caso Mário Crespo", Margarida Balseiro Lopes, no blogue onde também escrevo, www.blogicadabatata.blogs.sapo.pt (este post vai em conjunto para esse blogue e para o do JovemSocialista.org), disse que Sócrates "ostraciza e envergonha os valores de Abril" e que, consequentemente, os militantes do Partido Socialista deviam, nos dias de hoje, ter vergonha de o ser.

 

Podemos legitimamente discutir o estilo de Sócrates, em que por vezes a determinação, uma das suas grandes qualidades, roça a crispação e a arrogância, nomeadamente na relação com os media.

 

Afirmar, no entanto, que Sócrates insulta os valores de Abril, é exagerado e disparatado. Afinal, de que se trata o "caso Mário Crespo"? Sócrates e outros dois governantes, chegados a um restaurante, dirigem-se a uma mesa onde está Nuno Santos e dialogam, privadamente, sobre Mário Crespo. É algo inconveniente e inapropriado? Sim. É uma forma de atentado à liberdade de imprensa o primeiro-ministro, numa conversa privada, emitir uma opinião sobre o trabalho de um jornalista? Não. Mário Crespo, ao ouvir de amigos que ouviram a conversa aquilo que estes ouviram sobre a conversa, expôs a sua versão da mesma num jornal, cuja direcção, numa opção editorial, decide a não publicar. Tal foi uma decisão devida a pressões políticas? Não, foi apenas uma decisão editorial. Até o Jornal Público, que como sabemos não é muito amigo de Sócrates, tem, nos seus princípios editoriais, o seguinte: "não serão publicados artigos de opinião onde sejam detectados erros factuais de substância." Basta dizer que Nuno Santos, envolvido na conversa, desmentiu gentilmente a versão de Mário Crespo ("a conversa não se passou da forma como é descrita"), para podermos concluir que a possibilidade de erros factuais, na versão de Crespo, é bastante forte. A opção editorial do JN é discutível enquanto tal. É uma decisão que, certa ou errada, tem a ver com a interpretação de critérios jornalísticos, e não com supostas – e inexistentes – pressões. O facto de a crónica sair, depois, publicada num site do PSD e o facto de Mário Crespo ter falado do caso, depois, como convidado do CDS-PP, também não abonam muito a favor daqueles que defendem a inocência objectiva e desinteressada de Crespo.

 

Aproveitar este caso para afirmar que os socialistas deviam ter vergonha de o ser é fazer algo que eu nunca fiz, nem farei, relativamente ao PSD, mesmo em casos bem mais graves. Julgar o PS à imagem deste caso é como julgar o PSD à imagem do "caso Marcelo Rebelo de Sousa", à imagem do "caso Fernando Lima" (para não dizer "caso Cavaco Silva") ou à imagem dos inúmeros "casos Alberto João Jardim", como aquele em que, com o dinheiro dos contribuintes, o líder madeirense financia, ilegalmente, o jornal que depende unicamente desse financiamento e no qual ele escreve rotineiramente.

 

Sim, tenho orgulho em pertencer a um Partido que procura uma sociedade com mais liberdades individuais, mais solidariedade e mais progresso. Nenhum Partido se mede pelo tamanho mediático dos escândalos que vão e vêm. Os Partidos medem-se pelos valores em que acreditam, pela ajuda que deram e dão ao Portugal de ontem e de hoje. E, nisso, reafirmo o meu orgulho em ter um cartão de militante do PS.

 

Margarida, por nos conhecermos e simpatizar bastante contigo, fica o convite: no dia 25 de Abril, junta-te à marcha da Avenida da Liberdade, já que te preocupas tanto com os valores de Abril. Com pena minha, pois devia ser uma festa de todos, virás concerteza a título individual, pois sei que tanto o PSD como a JSD não se fazem representar oficialmente.



David Erlich às 02:46 | link do post | comentar | ver comentários (2)

...uma boa notícia. Foi uma proposta de Obama durante a campanha, e será brevemente uma concretização, esperemos. No aparelho de Estado não pode haver lugar para a homofobia.



David Erlich às 01:36 | link do post | comentar

Sexta-feira, 22.01.10

Há dias passava pela Praça D. Luís I, em Lisboa, quando no centro da Praça me chama a atenção a imponente estátua de Sá da Bandeira, estadista do séc. XIX que por diversas vezes foi Chefe de Governo. Mas o que mais me causou admiração foi perceber que a estátua tinha sido feita e inaugurada “Por subscripção pública” em 1884.

 

Quem são os Sá da Bandeira de hoje? E onde estão os “subscriptores” dos nossos dias? O que se passa com as pessoas, exaustas da política e dos políticos ao invés de se entusiasmarem com a exaltação daqueles em quem reconheceram verdadeiros representantes? Será delas a culpa? Ou dos políticos de hoje?

 

Se por um lado o desinteresse contemporâneo é resultado de um clima político mais tranquilo e de uma estabilidade na vida política nacional, isso não explica a reacção (ou falta dela) que a maior parte dos portugueses tem pela política.

 

Houve tempos em que acreditei firmemente que o que afastava as pessoas da política era principalmente a sua atitude passiva. Como consequência, cabia aos que criticavam a política e os políticos ser os primeiros a tentar mudar as coisas, a envolverem-se, a deixar de ser “treinadores de bancada”, a se organizarem e expulsar os "maus políticos".

 

Não mudei completamente de opinião. Mas reconheço hoje nessa visão alguma inocência. O comportamento do político é absolutamente fundamental para a política ser reconhecida como algo nobre e digno de respeitabilidade pública. A coerência é necessária, tal como a abertura às críticas, a clareza, a capacidade, a transparência e a lealdade. E ainda o verdadeiro espírito de missão na política, ou seja, o desapego a cargos.

 

No ano que se comemoram os cem anos da implantação da República, a ética republicana devia-nos fazer reflectir sobre aquele que é o nosso singelo contributo pessoal para uma melhor sociedade enquanto jovens socialistas. Se ele se rege por esses desígnios estaremos à altura do nosso tempo. Caso contrário, não poderemos esperar mais da política que contribuir para o seu enterro.

 

Acredito que na Juventude Socialista a maior parte dos seus membros se rege por altos padrões éticos, querendo genuinamente contribuir para uma sociedade mais justa e fraterna. Faz isso parte da nossa matriz identitária que devemos continuar a honrar neste ano de celebração da República e nos muitos de combate político que se lhes seguirão.

 



Pedro Silveira às 00:17 | link do post | comentar

Sexta-feira, 15.01.10

Depois de muitos delirarem com o anuncio que Portugal correria o risco de entrar numa rota descendente rumo à bancarrota, à semelhança da Grécia, eis que chega o resultado e a resposta dos mercados à notícia, que me parece mais do que positiva e bem mais optimista.

 

‘Depois da Moody’s ter vindo ontem colocar Portugal e Grécia num mesmo saco – o dos países que terão uma morte lenta -, os mercados reagiram de forma muito diferente, salienta a Bloomberg que diz que, em reacção à avaliação da agência de notação de risco, o preço dos seguros contra risco de incumprimento (os CDS) aumentou 49 pontos base para 328 no caso grego, tendo permanecido quase inalterados nos 105 pontos no caso português. E por isso titula o seu artigo com um “Os mercados apostam no incumprimento grego”.’

 

[e.conomia.info ]

 

Notícia positiva, mas é como dizia o outro, não se pode agradar a Gregos e a Troianos.

 

Esta notícia já não criou grandes delírios...mas ainda mais há a dizer. A agência que hoje diz isto,  foi também notícia em Julho do ano passado:

 

"A Calpers, maior fundo de pensão público dos Estados Unidos, processou as três maiores agências de rating [Moody's, Standard & Poor''s e Fitch] por dar notas perfeitas a ativos que mais tarde sofreram grandes perdas com hipotecas subprimes."

 

Uma notícia que vá, não abona a favor da credibilidade desta agência.



Luís Pereira às 00:47 | link do post | comentar

A consultora Deloitte diz que a rede portuguesa de Alta Velocidade ferroviária dará um contributo favorável ao turismo nacional e defende que a promoção de Portugal e Espanha deve ser feita conjuntamente em mercados longínquos. Leia mais no link.

 

 



Luís Pereira às 00:43 | link do post | comentar

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Ensino Superior com mais vagas

Começa amanha a primeira fase de
acesso ao ensino superior público
com mais 4% de vagasque em 2009.
Vão abrir mais 2068 vagas, sobretudo
nos horarios pós-laborais.
O Governo assinou em Janeiro
um “contrato de confiança” no qual
garante mais fundos com o
compromisso de que se aumentem
as oportunidades de
licenciatura e mestrados à
população activa.
É uma aposta no ensino superior
que não deixa de ter em conta a
produtividade e crescimento do país,
gerando mão-de-obra mais qualificada.

Deputados ausentes

Em nove meses de legislatura
podem ser contabilizadas 652 faltas.
Mesmo após o aviso do presidente
da Assembleia da República, Jaime
Gama, em que diz que não se aceitam
"deputados em part-time" contnua a
existir uma media elevada
de faltas, muitas delas injustificadas.
A assiduidade é um dos factores
que mais descredibiliza os deputados,
e toda a politica representativa.
A bancada com mais faltas é
a do PSD, que é responsável por cerca
de metade das faltas desde o início
da legislatura, seguida pelo CDS.
Os motivos apresentados são
variados mas as faltas continuam
a incidir sobre feriados com
pontes, como o 10 de Junho.
A assiduidade tem, contudo,
vindo a melhorar, com mais controlo
por parte do presidente da Assembleia.



Inês Mendes, 12/07/2010
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